Economia
Associação ZERO alerta para o impacto do turismo de massas no preço das rendas em Portugal
O presidente da associação ambientalista Zero defende uma mudança de estratégia, sugerindo a criação de uma "taxa de partida" e a limitação da expansão aeroportuária para travar a crise na habitação e os impactos climáticos.
O líder da ZERO desmistificou a ideia de que o turismo traz apenas benefícios económicos para o país. Segundo Francisco Ferreira, o setor tem vindo a desviar investimentos que deveriam ser canalizados para áreas mais inovadoras e produtivas. Adicionalmente, sublinhou a fraca resiliência do turismo perante crises, como ficou demonstrado durante a pandemia de Covid-19.
Para a ZERO, o futuro do setor exige uma Estratégia Nacional para o Turismo Sustentável assente na premissa de haver "melhor qualidade e menor quantidade".
Francisco Ferreira apresentou ainda dados de escala global para ilustrar a dimensão do problema: a Europa recebe atualmente 50% do turismo mundial e as emissões da aviação associadas a este setor representam cerca de 52% globalmente.
Para mitigar a pegada ecológica e a sobrecarga das infraestruturas urbanas, a associação ambientalista propõe um conjunto de medidas estruturais, a começar pela travagem na expansão do número de voos e das infraestruturas aeroportuárias, bem como a retirada do aeroporto de Lisboa devido aos impactos severos do ruído e da poluição do ar na saúde de quem vive na cidade.
Francisco Ferreira apela também ao fomento do desenvolvimento turístico no interior do país de forma a aliviar a pressão sobre os grandes centros urbanos.
Por fim, o presidente da associação ZERO pede a implementação de uma taxa cobrada aos passageiros no momento do embarque, uma medida já em vigor noutros países europeus e cujo valor reverteria para o financiamento de projetos de turismo sustentável.
"Se continuarmos ao ritmo de crescimento atual, na ordem dos 4%, vamos acabar por ter as pessoas contra os turistas", alertou o presidente da ZERO.
O responsável concluiu sublinhando a necessidade urgente de focar o setor no emprego de qualidade e na geração de valor acrescentado, sob pena de continuar a agravar-se a crise na habitação em Portugal.