Associações avançam para tribunal contra prolongamento do funcionamento da central de Almaraz

Associações avançam para tribunal contra prolongamento do funcionamento da central de Almaraz

Associações ambientalistas portuguesas e espanholas vão avançar "o mais breve possível" para tribunal contra o prolongamento até junho de 2030 do funcionamento da central nuclear espanhola de Almaraz, garantiu hoje o Observatório Ibérico de Energia.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
19Tarrestnom65 via Wikimedia Commons

Segundo o coordenador do organismo que reúne diversas associações, António Eloy, a ação será intentada em Espanha pela Associação para a Defesa da Natureza e dos Recursos da Extremadura (Adenex).

O Ministério espanhol da Transição Ecológica e do Desafio Demográfico renovou até junho de 2030 a licença de operações das Unidades I e II da Central Nuclear de Almaraz, segundo uma portaria hoje publicada.

A decisão encerra um processo que teve início em outubro de 2025, quando os três proprietários da central - Iberdrola, Endesa e Naturgy - concordaram em pedir formalmente a prorrogação.

O encerramento gradual dos dois reatores, em funcionamento desde o início da década de 1980, estava inicialmente previsto para 01 de novembro de 2027, para a Unidade I, e 31 de outubro de 2028, para a Unidade II, em conformidade com o protocolo estabelecido pelas empresas de energia.

"O Governo [espanhol], com esta decisão, põe em causa decisões anteriores, [...] pode pôr em causa o programa de fecho de outras centrais, e cria uma perturbação em todo o sistema, porque o sistema precisa de certezas e não de desconfiança", sustentou hoje, à Lusa, António Eloy.

A confirmação do recurso à Justiça surge depois de o movimento Alargar as Nucleares, Não Obrigado - composto por Adenex, Ecologistas em Ação e Greenpeace - ter considerado que o prolongamento até 2030 do funcionamento da central de Almaraz, localizada na bacia do rio Tejo a cerca de 100 quilómetros da fronteira portuguesa, "é ilegal", prometendo lutar pela reversão da prorrogação.

"É uma injustiça e uma ilegalidade, dado que houve um acordo entre as empresas e o Estado para que fechassem Almaraz em 2027. Não é assim, então é uma ilegalidade, produto de um acordo posterior que só beneficia a empresa e a especulação", afirmou, em declarações à Lusa, Óscar Alonso Carvalho, do movimento.

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