Atividade industrial da China regressa ao crescimento em setembro

Atividade industrial da China regressa ao crescimento em setembro

A atividade industrial da China regressou ao crescimento em setembro, segundo dados oficiais hoje divulgados, numa altura em que a procura por produtos tecnológicos chineses tem impulsionado as exportações da segunda maior economia mundial.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Florence Lo - Reuters

O índice de gestores de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor industrial, um importante indicador da atividade económica, fixou-se em 50,1 pontos, contra 49,8 em agosto, indicou o Gabinete Nacional de Estatísticas (GNE).

O resultado ficou em linha com a previsão mediana de analistas consultados pela agência Bloomberg.

Uma leitura acima dos 50 pontos indica expansão da atividade, enquanto um valor abaixo deste nível representa contração.

O PMI industrial tinha regressado em julho a terreno negativo, pela primeira vez em cinco meses.

A melhoria registada em setembro é "sinal de alguma recuperação da conjuntura económica", afirmou Huo Lihui, estatística do GNE, em comunicado.

Três áreas da indústria registaram uma "expansão relativamente robusta" no último mês: fabrico de equipamentos, alta tecnologia e bens de consumo, segundo Huo.

O PMI não industrial, que mede a atividade em setores como os serviços e a construção, regressou também a terreno positivo, ao subir de 49 pontos, em agosto, para 50,2 em setembro.

O resultado superou a previsão de 49,2 pontos dos analistas consultados pela Bloomberg.

A indústria chinesa enfrenta há vários meses fortes incertezas, nomeadamente devido ao conflito no Médio Oriente, que provocou uma subida acentuada dos custos da energia.

O forte crescimento das exportações, impulsionado pela procura de produtos eletrónicos e componentes associados à inteligência artificial (IA), tem proporcionado um importante apoio à economia, mas a procura interna continua condicionada pela prolongada crise no setor imobiliário.

A recuperação da indústria em setembro foi também confirmada pelo índice PMI independente elaborado pela S&P Global e pela agência RatingDog e divulgado pelo grupo de informação financeira chinês Caixin.

O indicador subiu de 51,5 pontos, em agosto, para 52,1 em setembro, o valor mais elevado dos últimos cinco meses.

Nos serviços, o estudo S&P Global/RatingDog/Caixin registou igualmente uma ligeira melhoria, com o PMI a subir de 51,4 para 51,6 pontos.

O emprego no setor manteve uma trajetória de crescimento, com as empresas a contratarem mais trabalhadores para responder ao aumento da carga de trabalho.

As autoridades chinesas anunciaram na segunda-feira à noite um conjunto de medidas de apoio à economia, num contexto marcado pela crise imobiliária e pelas tensões comerciais com os Estados Unidos.

As medidas incluem subsídios destinados a reduzir os custos de determinados empréstimos para aquisição de habitação.

O apoio destina-se sobretudo à compra de imóveis de valor inferior a 1,5 milhões de yuan (cerca de 190 mil euros), abrangendo principalmente cidades de menor dimensão e não grandes metrópoles como Pequim, Xangai ou Shenzhen, onde os preços das casas são significativamente mais elevados.

As medidas representam "um novo passo na direção certa, mas não tenho a certeza de que sejam suficientemente importantes para estabilizar a economia por si só", afirmou Zhiwei Zhang, economista da consultora Pinpoint Asset Management.

"É, no entanto, encorajador verificar que os decisores políticos estão a adotar uma nova abordagem", acrescentou.

O Governo chinês deverá lançar novas medidas destinadas a estabilizar o mercado imobiliário e a apoiar o emprego e o poder de compra, segundo a agência noticiosa oficial Xinhua.

 

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