Autarca diz que nova carreira aérea torna deslocação de Bragança a Lisboa mais cara
Bragança, 28 mai (Lusa) -- O presidente da Câmara de Bragança considerou hoje que a proposta de ligação aérea de Bragança a Portimão torna a deslocação dos transmontanos a Lisboa mais dispendiosa por desviar os voos da Portela para Tires, em Cascais.
Hernâni Dias comentava, em declarações à Lusa a proposta conhecida hoje do Instituto Nacional de Avião Civil (INAC) para a criação de uma linha aérea que fará a ligação Bragança/Vila Real/Viseu/Tires/Portimão.
Esta proposta foi anunciada hoje pelo Secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, e surge como a alternativa para retomar os voos entre Trás-os-Montes e Lisboa suspensos há um ano e meio pelo Governo com o argumento de que Bruxelas não autorizava mais o financiamento direto de 2,5 milhões de euros por ano às operadoras.
O presidente da Câmara de Bragança afirmou desconhecer ainda a proposta em concreto, que sabe "apenas o que veio na Comunicação" e que aguarda que o INAC envie o documento à autarquia para que possa conhecer as condições e emitir uma opinião.
"Obviamente que opinaremos sobre aquilo que nós entendermos ser benéfico ou não para Bragança, para a região e se efetivamente a proposta que está em cima da mesa responde àquilo que são os interesses quer dos cidadãos em geral, quer também do próprio tecido empresarial, que sempre esteve ao lado de uma decisão que viesse no sentido de uma reposição da ligação aérea", afirmou.
O autarca social-democrata entende contudo que o que conhece da proposta do INAC aponta para que a viagem entre Bragança e Lisboa se torne "mais dispendiosa para o utilizador" por a escala ser em Tires, Cascais, e não no aeroporto da Portela como acontecia com a carreira Bragança/Vila Real/Lisboa.
"Efetivamente sendo mais longe obrigará seguramente a um dispêndio maior de tempo e a um dispêndio também em termos financeiros. Se eu tiver que me deslocar de Tires a Lisboa de táxi, obviamente que terei de pagar mais do que se ficar num aeroporto muito mais próximo e que me permita gastar menos tempo e menos dinheiro", apontou.
Hernâni Dias não tem dúvidas de que "a proposta como ela está estruturada será seguramente mais dispendiosa, mais penalizadora em termos de tempo" e que a autarquia de Bragança terá de "ponderar e avaliar bem essa situação" para se pronunciar.
A inclusão de Viseu na rota para Lisboa, tornará também, na opinião do autarca, mais demorada a viagem, que anteriormente demorava uma hora e meia.
O processo agora em cima da mesa "é um pouco diferente" do que o que era protagonizado pela região, como realçou à Lusa o presidente da Associação Empresarial de Bragança (Nerba), Eduardo Malhão, para quem "o importante é haver uma solução de equilíbrio que viabiliza a carreira aérea".
"Às vezes as soluções ideais não são possíveis", considerou.
A ligação ao sul do país, com a inclusão de Portimão na carreira aérea, é vista como positiva pelo representante dos empresários de Bragança, que referiu existirem "alguns interesses" a nível empresarial.
O desvio para Tires para quem tem como destino Lisboa pode "não representar muito prejuízo se existir uma rede eficaz de transportes públicos", na opinião do presidente do Nerba.