Autoeuropa decide manter os 250 trabalhadores em risco
A administração da Autoeuropa decidiu manter os postos de trabalho de 250 trabalhadores contratados que estavam em risco de dispensa mas vai parar a produção durante 10 dias até final do ano. A opção pelo lay-off foi anunciada após a reunião mantida ao início da tarde com a Comissão de Trabalhadores.
"As previsões actuais de encomendas até ao final de 2009 não obrigam para já à administração da Volkswagen Autoeuropa a recorrer à dispensa de colaboradores temporários", indicou administração da Autoeuropa num comunicado distribuído à saída da reunião.
Ainda de acordo com o texto, a empresa vai continuar atenta às oscilações do mercado, para garantir que a produção vai prosseguir nas melhores condições de qualidade e produtividade, estando já decidido que vai, a partir de Setembro, reduzir para 300 carros/dia a produção dos modelos Eos e Scirocco.
Comissão de Trabalhadores agradece solução
Estas opções saíram em linha com os cenários apontados por António Chora, coordenador da Comissão de Trabalhadores (CT), à entrada para a reunião: "Lay-off, despedimento dos contratados ou fim dos turnos rotativos são três das hipóteses em cima da mesa. Mediante aviso de trinta dias, pode ser decretado o fim dos turnos rotativos, o que permitiria à empresa deixar de pagar o subsídio de turno".
António Chora já veio entretanto elogiar a atitude da administração da unidade de Palmela, a quem chegou mesmo a agradecer a manutenção dos postos de trabalho do 250 funcionários contratados a prazo e que ficaram em risco de dispensa depois do chumbo dos trabalhadores ao pré-acordo negociado entre a CT e a equipa de Andreas Hinrichs, director-geral da Autoeropa.
Por outro lado, António Chora considera que as medidas agora anunciadas são mais penalizadoras para os trabalhadores do que o pré-acordo, pelo que, em particular no que respeita ao lay-off, a CT irá opor-se a estas paragens na produção "por todos os meios legais".
"A CT irá realizar plenários no próximo dia 2 de Julho respeitando os prazos legais para a marcação dos mesmos e onde apresentará toda a contestação legal a esta medida. Ouvirá os trabalhadores sobre as medidas que entenderem dever ser continuadas para evitar a entrada no lay-off", comunicou ainda a Comissão de Trabalhadores.
Director-geral da Autoeuropa lamenta nega ao pré-cordo
Entretanto, a Autoeuropa já fez saber que a implementação dos 10 dias de lay-off - medida que abrangerá todo o universo da empresa "com implicação directa" nas remunerações - irá ser feita com o envolvimento da CT.
A comunicação aos trabalhadores foi feita pelo próprio director-geral numa carta em que Andreas Hinrichs lamenta a rejeição que mereceu o pré-acordo laboral que, considera, visava "contornar a quebra de volume de produção na Volkswagen Autoeuropa".
"A proposta permitiria justificar os custos da utilização de downdays pagos, além dos 22 dias acordados, e também os custos associados à manutenção dos postos de trabalho, num cenário de baixo volume", escreveu o chefe máximo da unidade automóvel de Palmela, alertando já que "todas estas medidas (agora comunicadas) poderão ser alteradas em função de oscilações nos volumes de produção".