EM DIRETO
Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito no Médio Oriente

Autor Sérgio Almeida lança "A Arte do Nada" sobre um Portugal "cada vez mais ultrapassado"

Autor Sérgio Almeida lança "A Arte do Nada" sobre um Portugal "cada vez mais ultrapassado"

O jornalista Sérgio Almeida assina o livro "A Arte do Nada", no qual traça um retrato satírico de um "certo Portugal" onde é comum "nada fazer e tudo reclamar", mas que acredita estar cada vez mais ultrapassado.

Lusa /

"O livro nasceu um bocado do meu lado de cidadão, não só produtor de notícias, mas também consumidor, ao ver o que nos rodeia, a nossa falta de exigência, o nosso conformismo, e surgiu-me a ideia de, em jeito de sátira, acentuar esse traço, essa característica dos portugueses, para a arte de nada fazer e tudo reclamar", afirmou o escritor à Lusa.

"A Arte do Nada", com o subtítulo de "O Lastimoso Destino dos Besugos", conta a história de um país de nome "Besugolândia", onde a população tinha uma "expressão apalermada, em que sobressaíam os enormes e mortiços olhos ou os avantajados lábios inferiores que, no conjunto, davam a ideia de [se estar] diante de alguém espantosamente alienado".

Donos de um "inconfundível cheiro pestilento", com "maus modos", avessos à aprendizagem e ao conhecimento, num país onde as bibliotecas se chamam "casas do sono", o povo "Besugo" recorria à cabeçada para resolver as suas diferenças.

Liderados pelo intitulado "Mais Grande" líder La Fava, que surge também classificado como o "Dono Disto Tudo" e o "Estadista", os besugos eram, apesar de tudo, seres "a modos que satisfeitos" com a vida.

"Portugal é muito mais do que isso. O Portugal que está aí, quero crer, é um país cada vez mais ultrapassado", afirmou Sérgio Almeida, que escreveu o livro há três anos e o vê inserido numa tradição portuguesa, próxima do surrealismo, de sátira, da qual são exemplos "Dinossauro Excelentíssimo", de José Cardoso Pires, e trabalhos de autores como Alberto Pimenta e Alexandre O`Neill, entre outros.

Apesar da "indignação" que esteve na base da escrita de "A Arte do Nada", Sérgio Almeida vê sinais de esperança, a começar pelo facto de esses traços, que acabam exagerados e distorcidos na obra, serem cada vez mais distantes.

"Basta comparar os índices de desenvolvimento em Portugal pré-1974 com os atuais, portanto percorremos uma distância gigantesca e é precisamente por isso que devemos ser mais exigentes. Falta-nos esse sentido de exigência e isso reflete-se na nossa relação com o poder", sublinhou o escritor, que tem publicados vários livros de contos e de poemas, bem como trabalhos para o público infantojuvenil.

Sérgio Almeida disse que já vários leitores lhe perguntaram se se inspirou em casos das suas respetivas cidades, ao que o autor respondeu "obviamente que não", o que mostra alguma "universalidade" deste retrato, inclusive noutros países.

Jornalista desde 1998, Sérgio Almeida já foi distinguido pelo festival Escritaria e com o prémio internacional César Vallejo da União Hispanomundial de Escritores.

O livro tem ilustrações de Inês Viegas, está em pré-venda no `site` da editora Seda Publicações, e chega em breve ao mercado, estando por agendar apresentações presenciais, apontadas para setembro.

Tópicos
PUB