BA Vidro comemora um século de existência com prémio de 1.000 euros a cada trabalhador

Lisboa, 09 mai (Lusa) - O grupo industrial BA Vidro comemora um século de existência na quinta-feira e vai atribuir aos trabalhadores uma "prenda de 1.000 euros", disse hoje à Lusa o presidente executivo, Jorge Alexandre.

Lusa /

"Vamos comemorar externamente com as autoridades" os 100 anos do grupo industrial português, num evento onde estará presente o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e "internamente, dando uma prenda de 1.000 euros a cada trabalhador, independentemente do seu estatuto e da sua hierarquia", avançou Jorge Alexandre.

Esta "prenda" será atribuída aos trabalhadores do grupo em Portugal e Espanha (Polónia fica de fora porque foi comprada recentemente) e representará um investimento de cerca de 1,5 milhões de euros.

A BA Vidro arrancou em 1912 com a criação da sociedade Barbosa e Almeida, de comercialização de garrafas, pela mão dos jovens Raul da Silva Barbosa e Domingos de Almeida, que saíram das empresas onde trabalhavam para arriscar num negócio próprio.

"São poucas as empresas da indústria tradicional portuguesa, neste caso de vidro de embalagem", a atingir um século de vida, confidenciou Jorge Alexandre à Lusa.

No entanto, a chave para tal longevidade assentou numa "lógica empreendedora", que teve início "logo nos dois fundadores que com 20 e tal anos se atreveram a sair das suas empresas e montar uma empresa própria", destacou o gestor, sublinhando que este é um exemplo que ainda hoje pode ser dado a quem quer ser empreendedor.

Questionado sobre que conselho daria a um jovem empreendedor, Jorge Alexandre foi perentório: "É preciso que digam o que querem ser!".

Em 1999, a BA Vidro definiu uma meta clara: "Que queríamos ser os melhores entre os maiores". E isso passava por serem os melhores para os acionistas, na relação com os clientes e com os colaboradores.

"Estes três pilares foram fundamentais para chegarmos hoje e sermos uma empresa sólida, líder do ponto de vista de eficiência e com aumento do poder aquisitivo dos trabalhadores", salientou o gestor.

"E temos de basear [essa meta] em valores: humildade, ambição, emoção, rigor e a transparência. E o rigor e a transparência falta muito em Portugal e Espanha e nós temos isso nos nossos valores há muitos anos", afirmou.

Para Jorge Alexandre uma equipa motivada é um dos motores para o sucesso.

Este ano "aumentámos o salário dos trabalhadores de acordo com a inflação e demos um prémio variável", que depende do cumprimento dos objetivos, "de cerca de 15 por cento", disse.

A BA Vidro tem "um acordo social a três anos", o que "raras empresas conseguem fazer", destacou Jorge Alexandre, adiantando que este durará até 2013. Ou seja, apesar da crise, os trabalhadores do grupo "aumentam o seu poder aquisitivo".

Além disso, no ano passado, o grupo aumentou em 5 por cento os postos de trabalho.

Questionado sobre se os trabalhadores em Portugal são pouco produtivos, o gestor respondeu: "Se a produtividade é fraca em Portugal é por culpa dos empresários".

Atualmente, o grupo tem 2.145 trabalhadores, incluindo o mercado polaco, onde a BA Vidro adquiriu a Warta Glass, no início deste ano, com uma média de idades de 40 anos, e sete fábricas: três em Portugal, duas em Espanha e outras duas na Polónia.

Para este ano, Jorge Alexandre admite efetuar contratações pontuais.

O grupo espera faturar 450 milhões de euros este ano, já com Polónia incluída, mais 100 milhões que em 2011.

"Estamos contentes com a Polónia, somos uma empresa de base ibérica que queremos crescer" e para este ano "as expetativas são positivas".

A título de exemplo, as unidades do grupo produzem diariamente 12 milhões garrafas por dia e todas as semanas há uma garrafa ou frasco novo a sair, o que demonstra a aposta na inovação.

Ao fim de 100 anos, e mesmo em tempo de crise, Jorge Alexandre confidencia que a ambição é a mesma: "Fazer ainda melhor".

Com uma posição de que é sempre possível ultrapassar momentos difíceis, Jorge Alexandre considerou que a BA é um exemplo "de que é possível ser melhor" e de que as crises podem ser superadas.

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