Baixa escolaridade dos patrões é obstáculo à produtividade e compatitividade

A baixa escolaridade e qualificação dos patrões portugueses "é um dos obstáculos mais importantes ao aumento da produtividade e competitividade das empresas", afirma o economista Eugénio Rosa, ligado à CGTP.

Agência LUSA /

Um estudo daquele economista afirma que, "por ignorância ou medo de perder o controlo" da empresa, há empresários que impedem a introdução de "qualquer tipo de inovação".

Eugénio Rosa salienta que os donos das empresas que surgiram na última década do século XX tinham em média apenas 7,7 anos de escolaridade, segundo dados do Ministério do Trabalho.

O documento de Eugénio Rosa contesta a ligação que é feita entre produtividade e competitividade, dois conceitos que "significam coisas completamente diferentes do ponto de vista técnico" e entre estas e os salários, dizendo-se que para a produtividade e competitividade crescer é necessária "contenção salarial".

Aquele economista salienta que é possível uma empresa aumentar a competitividade sem que a sua produtividade tenha crescido, bastando apostar em marketing, numa marca de prestígio ou com melhores canais de distribuição, bem como aumentar a produtividade sem melhorar a competitividade.

Para Eugénio Rosa, "os baixos salários pagos em Portugal incentivam a baixa qualificação e baixa escolaridade e também o abandono escolar, na medida em que o emprego criado pelas empresas é, na sua maioria, de baixa escolaridade, de baixa qualificação, e mal pago".

Eugénio Rosa cita um relatório do MIT (Massachussets Institute of Technology), uma instituição universitária dos Estados Unidos que assinou um contrato com o governo português em 2006, em que os investigadores concluem que "contrariamente à convicção genérica de muitos gestores", as "soluções que dependem da diminuição dos custos, reduzindo os salários e benefícios sociais, constituem sempre becos sem saída".

O documento do MIT, que surge na sequência de entrevistas a gestores de 500 empresas internacionais, acrescenta que "as estratégias baseadas na exploração de mão-de-obra barata acabam em selvas competitivas, onde as vitórias são cada vez menores e cada dia surge um novo concorrente". E "mesmo nas indústrias de mão de obra intensiva, como o vestuário, muitos outros custos e riscos, se sobrepõem à vantagem de salários baixos", afirma o MIT, citado pelo economista.

O documento do MIT, segundo Eugénio Rosa, conclui que "as actividades que acabam por ter êxito são aquelas que assentam na aprendizagem e na inovação continua".

Aquele economista sublinha que a "análise empírica prova também, contrariamente ao discurso oficial, que os países mais competitivos da União Europeia são precisamente os que têm salários mais elevados".

Citando o ranking de competitividade do Fórum Económico Mundial, em que Portugal desceu para 34/o lugar na edição 2006/2007, Eugénio Rosa sublinha que os quatro primeiros do ranking são a Suíça, Finlândia, Suécia e Dinamarca, países que têm os salários mais elevados, surgindo a Alemanha em oitavo lugar.

Eugénio Rosa salienta que os países com melhor distribuição de rendimento na União Europeia (UE) são também os mais competitivos.

Usando dados do Departamento de Estatísticas das Comunidades Europeias (Eurostat), Eugénio Rosa salienta que em 2005 os 20 por cento mais ricos da população portuguesa tinham um rendimento 8,2 vezes superior ao dos 20 por cento mais pobres (6,4 vezes em 1999) e que Portugal é o país da União Europeia a 15 onde a desigualdade mais está a crescer.

Aquele economista afirma que a relação entre o rendimento dos 20 por cento mais ricos e dos 20 por cento mais pobres é muito mais baixa nos países da UE mais competitivos (3,6 vezes na Finlândia, 3,3 vezes na Suécia, 3,5 vezes na Dinamarca e 4,1 vezes na Alemanha), sugerindo que uma melhor repartição do rendimento em Portugal estimularia o mercado e o crescimento económico.

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