Balanças corrente e de capital passam a défice de 709 ME até setembro
O défice das balanças corrente e de capital foi de 709 milhões de euros até setembro, o que contrasta com o excedente de 1.289 milhões de euros do mesmo período de 2019, segundo dados do Banco de Portugal.
Em comunicado, o banco central disse que este saldo "resulta dos défices das balanças de bens e de rendimento primário, que foram parcialmente compensados pelos excedentes das balanças de serviços, de rendimento secundário e de capital".
Dentro da balança corrente, entre janeiro e setembro, o défice da balança de bens foi de 8.777 milhões de euros, uma melhoria de 3.888 milhões de euros face ao défice registado nos primeiros nove meses de 2019.
Contudo, o excedente da balança de serviços diminuiu 7.733 milhões de euros até setembro, para 6.300 milhões de euros entre janeiro e setembro. O Banco de Portugal justifica a redução deste excedente com a queda das viagens e turismo.
Quanto às exportações de bens e serviços, até setembro caíram 22,9% (11,9% nos bens e de 40,3% nos serviços) e as importações diminuíram 17,8% (16,1% nos bens e de 24,6% nos serviços).
Apenas no mês de setembro, as exportações e as importações de bens e serviços caíram 17,4% e 11,2% respetivamente, em termos homólogos, destacando-se a "redução homóloga do saldo das viagens e turismo em 920 milhões de euros, resultante de um decréscimo de 55,4% nos créditos e de 39,1% nos débitos", segundo o Banco de Portugal.
Quanto à balança de rendimento primário, entre janeiro e setembro, o défice reduziu-se em 1.738 milhões de euros para 2.625 milhões de euros negativos. Uma descida, "em grande medida, justificada pela redução do pagamento de rendimentos de investimento a entidades não residentes", afirmou o banco central.
A balança de rendimento secundário reduziu o excedente em 144 milhões de euros (para 2.858 milhões de euros), devido à evolução das transferências correntes.
Já o excedente da balança de capital cresceu 255 milhões de euros face ao mesmo período do ano anterior, para 1.536 milhões de euros, um crescimento atribuído sobretudo ao aumento dos recebimentos de fundos comunitários.
Por fim, até setembro, o saldo da balança financeira registou uma diminuição dos ativos líquidos de Portugal face ao exterior no valor de 458 milhões de euros. O Banco de Portugal atribui o resultado ao "aumento de passivos do Banco de Portugal junto do Eurosistema e do investimento de não residentes em títulos de dívida pública portuguesa".
Em sentido contrário, segundo o banco central, houve um "aumento de ativos dos bancos e das sociedades de seguros e fundos de pensões sobre entidades não residentes, nomeadamente em títulos de dívida emitidos por estados membros da União Monetária e pelos Estados-Unidos".