Balsemão critica decisão lançar novo canal em sinal aberto em vez de dar prioridade à alta definição
Lisboa, 03 Jan (Lusa) - O presidente do grupo que detém a SIC, Francisco Pinto Balsemão, criticou hoje a decisão de o Governo lançar um novo canal generalista em sinal aberto em vez de dar prioridade às emissões em alta definição.
"Nós sempre defendemos que a prioridade devia ser dada à alta definição", afirmou hoje Francisco Pinto Balsemão à margem da sua apresentação como director por uma semana do semanário Expresso.
Para o responsável, dar prioridade a emissões em alta definição seria "o verdadeiro salto qualitativo".
Segundo anunciou hoje o ministro responsável pela pasta da Comunicação Social, Augusto Santos Silva, o Governo pretende lançar, a par de um novo canal em sinal aberto, emissões em alta definição.
Como explicou o ministro à Lusa, o espaço remanescente no espectro que não for ocupado pelo canal generalista de sinal aberto deverá ser ocupado, entre 2008 e 2012, por um canal onde RTP, SIC, TVI e o detentor do quinto canal insiram programas emitidos em alta definição.
Uma espécie de "período experimental" para que, a partir de 2012, com o fecho da televisão analógica, cada estação possa ter o seu próprio canal em alta definição.
"Como o canal [generalista de sinal aberto] não ocupa toda a capacidade, essa capacidade remanescente será aproveitada para iniciar programas em alta definição", adiantou Santos Silva, explicando que "durante o período de `simultcast` [altura em que estarão a funcionar em simultâneo emissões analógicas e digitais], ou seja, até 2012, serão difundidos programas em alta definição".
Depois, "com o fecho da televisão analógica, o espectro poderá ser utilizado para que todos os operadores possam ter um canal em alta definição", concluiu.
"A solução apresentada para a alta definição parece bastante remendada" uma vez que "as emissões em simultâneo não podem manter-se por um largo período", criticou Pinto Balsemão.
"É uma decisão errada em termos de salto tecnológico", sublinhou.
Além disso, acrescentou o presidente do grupo Impresa, não há mercado para um novo canal" em sinal aberto que concorra com as já existentes RTP, SIC e TVI.