Banca deve pagar a recapitalização das `cajas` e não os cidadãos, diz o porta-voz Governo espanhol
Madrid, 7 out (Lusa) - O porta-voz do Governo e ministro do Fomento espanhol, afirmou que "nem um único euro" dos contribuintes será destinado a recapitalizar qualquer das caixas de aforro espanholas, defendendo que as entidades financeiras mais solventes devem contribuir para esse processo.
José Blanco falava aos jornalistas depois da reunião do Conselho de Ministros que aprovou dois diplomas que, por um lado, garantem a fusão dos fundos de garantia de depósitos, e por outro, permitem a utilização desse novo fundo na recapitalização do próprio setor.
"Sempre manifestamos que as entidades financeiras saneadas poderiam fazer uma contribuição especial para enfrentar os desafios económicos que temos como país", disse Blanco.
Admitindo que o Governo "entende as críticas" de alguns setores sobre esta medida, Blanco afirmou que a decisão do Governo é "clara e contundente", garantindo "um princípio fundamental de que nem um único euro do contribuinte será destinado ao saneamento do sistema financeiro espanhol".
O conteúdo da decisão de hoje do Conselho de Ministros tinha sido avançado na quinta-feira pela ministra da Economia, Elena Salgado, que explicou que a unificação dos três fundos de garantia de depósitos existentes em Espanha permite criar um novo instrumento que assuma eventuais perdas das injeções públicas de capital na banca.
Elena Salgado explicou que com esta alteração legislativa, a recapitalização do setor bancário espanhol - realizada através do Fundo de Reestruturação Ordenada Bancária (FROB) - não representará custos para o contribuinte nem terá impacto no défice público.
Segundo Salgado, o novo fundo unificado de garantia de depósitos servirá de avalizador do FROB que, por seu lado, injetou 7.5 mil milhões de fundos públicos nas caixas de aforro que não cumpriram os novos mínimos necessários de capital exigido.
Depois do processo de reestruturação do setor - que levou á redução do número de caixas de aforro e à transformação de muitas delas em bancos - "já não faz sentido" ter três fundos diferentes, para bancos, caixas de aforro e cooperativas de depósito.
Salgado explicou aos jornalistas que o novo fundo de garantia - financiado com dinheiro das próprias entidades - continuará a dar cobertura aos depósitos dos clientes, num máximo de 100 mil euros por cliente e entidade.