Banco de Espanha baixa previsões de crescimento do país em 2021 para 4,5% do PIB
O Banco de Espanha fez hoje uma revisão em baixa da sua previsão de crescimento do país em 2021, para 4,5% do PIB, menos 1,9 pontos do que a sua estimativa anterior feita em setembro passado.
A entidade também aumentou a sua previsão de inflação, para 3% em 2021 (mais oito décimas) e 3,7% em 2022 (mais 1,9 pontos).
No seu último relatório trimestral sobre a economia espanhola publicado esta manhã, o Banco de Espanha justifica as mudanças nas previsões de crescimento pelo agravamento da situação sanitária, a persistência de problemas globais de abastecimento e transporte, atrasos na implementação dos fundos europeus e um menor dinamismo do consumo interno, assim como na chegada de turistas internacionais.
O relatório explica que as projeções são agora menos otimistas do que em setembro devido a "surpresas em baixa nos dados do segundo e terceiro trimestres", mas também devido à "atividade menos dinâmica" no último trimestre, de acordo com os indicadores disponíveis.
O Banco de Espanha baixou em menor grau (quatro décimas) a previsão de crescimento para 2022, para 5,4% do Produto Interno Bruto (PIB), mas subiu quase dois pontos as previsões para 2023, para 3,9%.
Para 2024 (um ano que aparece pela primeira vez no documento) a entidade prevê um aumento de 1,8%.
De acordo com o documento, a economia irá recuperar para o nível que tinha antes da pandemia de covid-19 entre o final de 2022 e o início de 2023.
A recuperação espanhola é mais lenta do que a média da zona euro devido ao maior peso na economia do turismo internacional - que está a recuperar lentamente e tem sido penalizada pela recente onda de contágios que se seguiu à variante Omicron - e ao facto de a procura interna estar também a mostrar "menos dinamismo" do que noutros países da União Europeia.
A previsão do défice público melhora ligeiramente este ano, para 7,5% do PIB, mas piora para 4,8% em 2022, enquanto a dívida pública projetada aumenta para 120,4% do PIB em 2021 e 115,7% em 2022.
Quanto à inflação, o Banco de Espanha prevê um aumento médio dos preços de 3% para este ano (mais oito décimas do que na sua estimativa anterior) e 3,7% para 2022 (mais 1,9 pontos).
O relatório sublinha a duração das "fortes pressões inflacionistas" e alerta para a existência de possíveis "efeitos de segunda ordem" - em referência ao aumento dos custos devido aos preços mais elevados da energia que acabam por se repercutir no preço pago pelos consumidores por outros produtos - e do seu impacto direto e indireto na atividade económica.