Banco de Portugal pode rever em baixa previsões de crescimento

“Caso se confirmem as expectativas de uma possível recessão nos EUA, isso terá consequências na Europa, incluindo Portugal, o que poderá conduzir a uma ligeira revisão em baixa das recentes previsões económicas”, disse Vítor Constâncio.

RTP /
Governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio Tiago Petinga, Lusa (arquivo)

O Governador do Banco de Portugal vai avisando que o forte abrandamento da economia norte-americana ou mesmo recessão pode ter efeitos na Europa, e, em particular, em Portugal. Se isso acontecer, o próximo boletim económico poderá ser diferente do último, divulgado a 8 de Janeiro, que apontava para um crescimento em Portugal de 2,0 por cento em 2008 e 2,3% em 2009.

Ministro das Finanças não aceita críticas de “optimismo balofo ou gratuito” sobre a economia portuguesa

Fernando Teixeira dos Santos rejeita a ideia de que “o problema iniciado nos Estados Unidos” tenha efeito na economia portuguesa e europeia. Para o ministro português, a “Europa tem fundamentais mais robustos” do que os EUA, pelo que não deverá haver uma “desaceleração acentuada” no crescimento da União Europeia.

“Isto não é uma atitude de optimismo balofo ou gratuito, isto assenta numa análise objectiva” da situação, disse Teixeira dos Santos.

Relativamente a Portugal, o ministro das Finanças diz que “não temos de estar permanentemente a rever previsões” de crescimento” e que a economia nacional tem condições para enfrentar com “confiança” o que possa acontecer.

Presidente da República aproxima-se da posição do Governador do Banco de Portugal

Cavaco Silva não partilha a opinião do ministro das Finanças e afirma que lhe parece “inevitável que a crise dos mercados financeiros internacionais” tenha “um efeito negativo sobre a economia real”. “Portugal dificilmente não será também atingido um pouco por aquilo que se passa” a nível internacional”, disse o Presidente da República.

“As coisas mudaram”, acrescenta Cavaco, “não podemos ter ilusões quanto a isso”. “As coisas apontavam que 2008 poderia ser um ano de aproximação” à média de desenvolvimento dos países da UE, “mas agora surgiram, no cenário internacional, indicações que dificilmente não terão efeito sobre todos os países da Europa”, disse.

No entanto, o Presidente é da opinião que “Portugal, com confiança, políticas correctas, com rigor face aos recursos que dispomos, pode ultrapassar as dificuldades”.

Cavaco Silva reconhece que a economia portuguesa “está melhor” do que quando foi eleito, “na medida em que a taxa de crescimento económico é hoje mais forte”.
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