Economia
Banco de Portugal quer alterações na gestão do Montepio
O Banco de Portugal decidiu impor uma maior separação entre a Caixa Económica Montepio Geral, ou banco Montepio, e a Associação Mutualista. O regulador recomenda que o próximo presidente seja acompanhado de gestores independentes. A relação entre o Montepio e a Associação Mutualista tem sido fonte de preocupação para as autoridades bancárias, avança a edição desta segunda-feira do diário Público.
Fernando Teixeira dos Santos, ex-ministro das Finanças e ex-presidente da Comissão do Mercado de Valores, é o nome falado para suceder a Tomás Correia, cujo mandato termina em dezembro, na presidência da Caixa Económica Montepio Geral. No entanto, ao Banco de Portugal ainda não chegou a proposta formal com o nome de Teixeira dos Santos.
O novo regime jurídico das Caixas Económicas, que facilita a abertura do banco a privados, já está em cima da mesa da ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque. Apesar de a Associação Mutualista ser tutelada pelo Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social e não responder perante a supervisão financeira, o ministro Mota Soares já se manifestou favorável a envolver a autoridade que fiscaliza os segurados e fundos de pensões.
“Um sinal de preocupação quanto ao futuro, depois de esgotado o modelo de negócio seguido pelo banco da Associação Mutualista, com fortes conexões ao polo de interesses que se estabeleceu em torno do grupo liderado por Ricardo Salgado no Banco Espírito Santo”, avança o Público.
Concentração de poder
Na origem das alterações às mudanças no Montepio, que já foram aprovadas em Assembleia Geral pelos acionistas, estão algumas semelhanças e ligações ao universo Espírito Santo que preocupam o Banco de Portugal. O supervisor pretende que o banco tenha gestores não só com competências financeiras mas também na área do retalho. A instituição liderada por Carlos Costa está atenta aos pontos de contacto existentes entre o modelo do Montepio, com uma grande concentração de poder em Tomás Correia, que preside à Associação Mutualista, ao Banco Montepio e ao Montepio Investimento.
Segundo o Público, “o próximo líder do banco Montepio deve fazer-se acompanhar de um administrador financeiro, mas também de alguém com competências no retalho- as duas áreas mais sensíveis de uma instituição bancária. Uma orientação que é um indício de que o regulador nos bastidores está a forçar mudanças no topo e a tentar acelerar uma maior autonomia do banco face à casa-mãe, a Associação Mutualista, onde Tomás Correia se pretende manter”.
“É da tradição do banco apoiar o crédito ao sector imobiliário/habitação, cuja carteira totaliza 7.560 milhões (grau de incumprimento de 4,8 por cento) e à construção, com uma carteira de 2.678 milhões (grau de incumprimento de 41,7 por cento); e o Montepio angaria junto dos seus clientes novos associados para a Associação Mutualista Geral que conta com 650 mil participantes, cuja quotização anual é de quase 11 milhões de euros”, revela o jornal.
Abertura do banco a privados
Em 2014, os ativos da Associação Mutualista totalizavam 4.700 milhões de euros, dos quais 78 por cento estavam aplicados em benefício do Montepio.
A decisão de abrir o Montepio a privados, nomeadamente à família do construtor José Guilherme - o cliente do Banco Espírito Santo de quem Ricardo Salgado afirmou ter recebido uma prenda de 14 milhões, que se suspeita serem comissões de negócios não assumidos - dividiu os associados, por quebrar uma tradição de 170 anos.
A rede comercial do Montepio tem promovido junto dos seus associados a subscrição de obrigações da instituição financeira e de títulos do grupo. Foi o que aconteceu em dezembro de 2013, quando foi constituído o Fundo de Participação Caixa Económica Montepio Geral, para ajudar o banco a reforçar o seu capital, através da colocação de 200 milhões de unidades de participação.
Sexto maior banco
Na medida em que a Associação Mutualista, que em 2013 teve prejuízos de 336 milhões, tem delegado e concentrado a gestão dos seus ativos no banco, “o risco principal é que o universo mutualista seja infetado pela área financeira”.
Entre 2013 e 2014, o Montepio assumiu prejuízos de 485,5 milhões de euros e foi obrigado a constituir altas provisões (643 milhões).
Ao contrário do banco, cujos clientes com depósitos até 100 mil euros estão abrangidos pelo Fundo de Depósitos (em caso de insolvência), os 650 mil associados da Associação Mutualista estão menos protegidos.
“Nas contas da Associação Mutualista de 2014, o banco está contabilizado por 1.700 milhões de euros, mais 500 milhões do que valia o BPI (o quarto maior banco do sistema com ativos de 42.633 milhões de euros). Os ativos do banco Montepio, o sexto maior, totalizavam 22.215 milhões”, acrescenta o Público.
Na Assembleia Geral que decorreu a 1 de abril, os associados autorizaram o Montepio a promover uma alteração dos seus estatutos que permitia a separação da gestão da Associação Mutualista face à presidência da sua instituição financeira. A próxima Assembleia-Geral, em será discutido, entre outras questões a alteração parcial dos estatutos da Caixa Económica Montepio Geral está agendada para 30 de abril. Resultados da auditoria conhecidos em breve
O Banco de Portugal tem em curso várias inspeções às contas do Montepio, estando para breve a divulgação das conclusões da auditoria encomendada à Deloitte, que se ocupou, entre outras matérias, de 60 contratos de crédito concedidos desde 2009.
O Banco de Portugal, desde 2010, passou a dedicar uma atenção redobrada às contas do Montepio, depois de em julho desse ano ter comprado o Finibanco por 340 milhões de euros, com um prémio de 30 por cento. Embora nessa altura a instituição tivesse prejuízos acumulados na ordem dos 50 milhões.
Estão ainda a decorrer investigações ao Finibanco Angola, também controlado pelo Montepio, por suspeita de envolvimento no branqueamento de capitais associados ao dossier BES Angola.
O novo regime jurídico das Caixas Económicas, que facilita a abertura do banco a privados, já está em cima da mesa da ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque. Apesar de a Associação Mutualista ser tutelada pelo Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social e não responder perante a supervisão financeira, o ministro Mota Soares já se manifestou favorável a envolver a autoridade que fiscaliza os segurados e fundos de pensões.
“Um sinal de preocupação quanto ao futuro, depois de esgotado o modelo de negócio seguido pelo banco da Associação Mutualista, com fortes conexões ao polo de interesses que se estabeleceu em torno do grupo liderado por Ricardo Salgado no Banco Espírito Santo”, avança o Público.
Concentração de poder
Na origem das alterações às mudanças no Montepio, que já foram aprovadas em Assembleia Geral pelos acionistas, estão algumas semelhanças e ligações ao universo Espírito Santo que preocupam o Banco de Portugal. O supervisor pretende que o banco tenha gestores não só com competências financeiras mas também na área do retalho. A instituição liderada por Carlos Costa está atenta aos pontos de contacto existentes entre o modelo do Montepio, com uma grande concentração de poder em Tomás Correia, que preside à Associação Mutualista, ao Banco Montepio e ao Montepio Investimento.
Segundo o Público, “o próximo líder do banco Montepio deve fazer-se acompanhar de um administrador financeiro, mas também de alguém com competências no retalho- as duas áreas mais sensíveis de uma instituição bancária. Uma orientação que é um indício de que o regulador nos bastidores está a forçar mudanças no topo e a tentar acelerar uma maior autonomia do banco face à casa-mãe, a Associação Mutualista, onde Tomás Correia se pretende manter”.
“É da tradição do banco apoiar o crédito ao sector imobiliário/habitação, cuja carteira totaliza 7.560 milhões (grau de incumprimento de 4,8 por cento) e à construção, com uma carteira de 2.678 milhões (grau de incumprimento de 41,7 por cento); e o Montepio angaria junto dos seus clientes novos associados para a Associação Mutualista Geral que conta com 650 mil participantes, cuja quotização anual é de quase 11 milhões de euros”, revela o jornal.
Abertura do banco a privados
Em 2014, os ativos da Associação Mutualista totalizavam 4.700 milhões de euros, dos quais 78 por cento estavam aplicados em benefício do Montepio.
A decisão de abrir o Montepio a privados, nomeadamente à família do construtor José Guilherme - o cliente do Banco Espírito Santo de quem Ricardo Salgado afirmou ter recebido uma prenda de 14 milhões, que se suspeita serem comissões de negócios não assumidos - dividiu os associados, por quebrar uma tradição de 170 anos.
A rede comercial do Montepio tem promovido junto dos seus associados a subscrição de obrigações da instituição financeira e de títulos do grupo. Foi o que aconteceu em dezembro de 2013, quando foi constituído o Fundo de Participação Caixa Económica Montepio Geral, para ajudar o banco a reforçar o seu capital, através da colocação de 200 milhões de unidades de participação.
Sexto maior banco
Na medida em que a Associação Mutualista, que em 2013 teve prejuízos de 336 milhões, tem delegado e concentrado a gestão dos seus ativos no banco, “o risco principal é que o universo mutualista seja infetado pela área financeira”.
Entre 2013 e 2014, o Montepio assumiu prejuízos de 485,5 milhões de euros e foi obrigado a constituir altas provisões (643 milhões).
Ao contrário do banco, cujos clientes com depósitos até 100 mil euros estão abrangidos pelo Fundo de Depósitos (em caso de insolvência), os 650 mil associados da Associação Mutualista estão menos protegidos.
“Nas contas da Associação Mutualista de 2014, o banco está contabilizado por 1.700 milhões de euros, mais 500 milhões do que valia o BPI (o quarto maior banco do sistema com ativos de 42.633 milhões de euros). Os ativos do banco Montepio, o sexto maior, totalizavam 22.215 milhões”, acrescenta o Público.
Na Assembleia Geral que decorreu a 1 de abril, os associados autorizaram o Montepio a promover uma alteração dos seus estatutos que permitia a separação da gestão da Associação Mutualista face à presidência da sua instituição financeira. A próxima Assembleia-Geral, em será discutido, entre outras questões a alteração parcial dos estatutos da Caixa Económica Montepio Geral está agendada para 30 de abril. Resultados da auditoria conhecidos em breve
O Banco de Portugal tem em curso várias inspeções às contas do Montepio, estando para breve a divulgação das conclusões da auditoria encomendada à Deloitte, que se ocupou, entre outras matérias, de 60 contratos de crédito concedidos desde 2009.
O Banco de Portugal, desde 2010, passou a dedicar uma atenção redobrada às contas do Montepio, depois de em julho desse ano ter comprado o Finibanco por 340 milhões de euros, com um prémio de 30 por cento. Embora nessa altura a instituição tivesse prejuízos acumulados na ordem dos 50 milhões.
Estão ainda a decorrer investigações ao Finibanco Angola, também controlado pelo Montepio, por suspeita de envolvimento no branqueamento de capitais associados ao dossier BES Angola.