Banco Espanha assegura que intervenção garante obrigações na Caja Castilla-La Mancha

Madrid, 29 Mar (Lusa) - O Banco de Espanha assegurou hoje que a intervenção na Caja Castilla-La Mancha (CCM) é um garante de que a caixa de aforro cumpre as suas obrigações, pelo que depositantes e credores "podem estar absolutamente tranquilos".

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Em comunicado, o BE recorda que a Caja Castilla-La Mancha tem um património liquido positivo e que é "uma entidade solvente", mas que tanto a situação do seu capital regulatório como as suas perspectivas financeiras aconselham "a procurar soluções para garantir o futuro".

Na nota, o BE confirma o afastamento dos administradores da instituição, que serão substituídos por três inspectores nomeados pelo banco central, que terá ainda acesso a um aval do Tesouro para o financiamento até 09 mil milhões de euros da CCM.

Esse aval está previsto no real decreto-lei, deliberado e aprovado hoje pelo Conselho de Ministros, em reunião extraordinária, na sequência da decisão de intervenção do BE na CCM.

Depois da reunião, tanto a vice-presidente do Governo, María Teresa Fernández de la Vega, como o ministro da Economia, repetiram mensagens de tranquilidade, assegurando que a CCM "cumprirá todas as suas obrigações".

O real decreto-lei "autoriza a concessão de garantias derivadas do financiamento que possa outorgar o Banco de Espanha a favor da CCM", num valor máximo de 09 mil milhões de euros.

Explicando que se trata de "um aval e não de uma injecção de capital", Pedro Solbes frisou que a quantia inicial que será avalada deverá "rondar entre dois e três milhões de euros", tendo sido aprovado um valor mais elevado "de forma preventiva".

No mesmo comunicado, o BE refere que a decisão de intervenção foi adoptada "depois de não terem tido frutos as conversações das últimas semanas para encontrar uma solução" para os problemas de liquidez da CCM.

Essas soluções, incluindo a eventual fusão com a caixa de aforro Unicaja, eram consideradas "positivas" pelo Banco de Espanha, porque teriam evitado a utilização de recursos públicos.

No entanto, a deterioração da situação financeira a que a CCM poderia chegar enquanto procuva esse tipo de soluções tornou aconselhável a intervenção preventiva do BE, para evitar que o resultado final fosse ainda mais oneroso para o contribuinte, sublinha a nota.

A decisão do BE, adianta, "está plenamente em linha com os princípios acordados na moção do Congresso de Deputados sobre a estratégia de reestruturação do sistema financeiro espanhol".

A CCM representa menos de 01 por cento dos activos do sistema bancário espanhol e o BE "quer insistir em que o sistema financeiro espanhol continua a ser sólido, ainda que não seja imune à crise financeira internacional".

Criada há 17 anos, pela fusão de quatro caixas de aforro, a CCM vive actualmente o seu momento mais crítico, com rumores de um buraco patrimonial e a retirada, no último ano, de 1.500 milhões de euros de depósitos.

A CCM, uma das instituições mais afectadas pela crise financeira, é a primeira entidade financeira espanhola a ser alvo de uma intervenção significativa desde 1993, quando o Governo tomou o controlo do Banesto.

Em 2008, a CCM registou lucros consolidados de 29,8 milhões de euros, menos 87,1 por cento do que no ano anterior, ressentindo-se do aumento das dotações e provisões que triplicaram para 16,5 milhões.

A prejudicar a situação da CCM estiveram também as perdas de 140 milhões de euros devido à deterioração dos activos financeiros.

Envolvida num processo negocial para uma eventual fusão com a Unicaja - a principal caixa de aforro da Andaluzia - a CCM concedeu no ano passado 19.537 milhões de euros de créditos aos seus clientes.

Depósitos de 17.265 milhões de euros deverão estar garantidos pelo Fundo de Garantia de Depósitos, num limite máximo de 100 mil euros por cliente.

ASP.

Lusa/Fim

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