Bancos portugueses estão "robustos e resilientes" - Banco de Portugal

Lisboa, 03 fev (Lusa) - O Banco de Portugal (BdP) disse hoje que o sistema bancário português está "mais robusto e resiliente" do que em 2008, quando se iniciou a crise financeira, devido à evolução positiva dos rácios de solvabilidade.

Lusa /

Em comunicado, o BdP referiu que "o sistema bancário português tem evidenciado, desde o final de 2008 um nível de resiliência assinalável", sendo que os rácios de solvabilidade, "medidos segundo a métrica do `Core Tier 1`" apresenta, desde aquela data, "uma tendência claramente positiva".

Nesta análise, o órgão de supervisão bancária adiantou que, excluindo o BPN e o BPP, os bancos ultrapassarão "confortavelmente os 9 por cento" exigidos de rácio `Core Tier 1` em 2011, já que apresentavam, em setembro, um rácio de 8,5 por cento, um valor que compara com um nível de 6,8 por cento no final de 2008.

O BdP frisa que, ao longo deste período, "fortemente conturbado por uma crise financeira com origem no setor financeiro norte-americano que derivou, em 2010, para uma crise dos soberanos europeus com um renovado subsequente impacto sobre o sistema financeiro", o sistema bancário português "apresentou uma tendência de reforço continuado dos seus índices de solidez financeira".

O programa de assistência económica e financeira, acordado no segundo trimestre de 2011 com a `troika`, recorda o Banco de Portugal, "contempla o reforço das exigências ao nível da solvabilidade e liquidez dos bancos portugueses", pelo que, para além de os bancos terem de cumprir um requisito mínimo de rácio `Core Tier 1` de 9 por cento no final de 2011, terão de continuar a solidez em 2012 para atingirem os 10 por cento do mesmo rácio.

O BdP indica que o capital `Core Tier 1` no sistema bancário "apresenta uma clara tendência positiva, com um crescimento de 28,6 por cento desde o final de 2008 até setembro de 2011", passando dos 21 mil milhões em 2008 para os 27 mil milhões de euros em setembro passado.

Comentando a situação de os maiores bancos portugueses apresentarem prejuízos relativamente a 2011, o Banco de Portugal adiantou que esta situação se fica a dever "ao efeito de eventos de natureza não recorrente que originaram o registo de perdas por parte dos bancos portugueses, com destaque para o reforço no valor das imparidades registadas para a carteira de crédito na sequência do programa especial de inspeções".

A contribuir para os resultados negativos, disse também o Banco de Portugal, está "o apuramento de prejuízos na operação de transferência parcial de responsabilidades com pensões de reforma para o âmbito da Segurança Social" e "o reconhecimento de imparidades resultantes da exposição a dívida soberana grega".

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