Barcos de pesca longínqua também vão parar - sindicato

Porto, 30 Mai (Lusa) - O presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Norte, António Macedo, afirmou hoje à agência Lusa que os barcos portugueses de pesca longínqua também vão paralisar quando chegarem a terra.

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"Era o que faltava! Os navios que estão no Norte do Atlântico e no Canadá não vão ficar parados no meio do mar, mas quando chegarem a terra a orientação é que fiquem encostados", disse António Macedo.

O ministro da Agricultura, Jaime Silva, afirmou hoje que a pesca longínqua não está parada, enquanto a maior parte da frota costeira ficou em terra no primeiro dia da paralisação convocada pelo sector.

Para António Macedo, esta declaração do ministro "é mais uma forma de tentar ludibriar a opinião pública e de criar confusão".

O sindicalista reconheceu que a frota de pesca longínqua está menos prejudicada pelos impostos elevados sobre os combustíveis cobrados em Portugal continental, porque pode comprar o gasóleo mais barato no alto mar ou nos Açores, mas também está abrangida pela paralisação iniciada às 00:00 de hoje.

"Os armadores da pesca longínqua são os mesmos da pesca costeira", salientou António Macedo, acrescentando que "o problema das pescas não são só os combustíveis".

António Macedo realçou que o custo com os combustíveis "ultrapassa 30 por cento do volume de negócios", assumindo um peso ainda maior nas embarcações a gasolina.

O dirigente sindical referiu que "há muitas pequenas embarcações de boca aberta, com dois ou três pescadores, com motor a gasolina, que pagam o mesmo preço que qualquer pessoa pelo combustível, incluindo o IVA de que a pesca está isenta".

António Macedo explicou que esses barcos precisam de motores a gasolina para vencerem as ondas e para evitar os elevados custos de manutenção dos motores a gasóleo.

"Como são embarcações de boca aberta, os motores estão sempre a avariar", disse.

António Macedo enalteceu as declarações de hoje do Presidente da República, Cavaco Silva, sobre as maiores dificuldades da pesca para enfrentar o aumento constante dos preços dos combustíveis.

Cavaco Silva reconheceu hoje que o grupo profissional dos pescadores está a ter "mais dificuldades" para enfrentar a situação da alta dos preços dos combustíveis e dos factores de produção.

"Quando isto acontece, o que pode ser feito são respostas selectivas para tentar ajudar os grupos mais desfavorecidos que têm dificuldade a ajustar-se à nova situação", afirmou.

O Presidente disse que compete ao Governo analisar a situação e que este já tomou algumas medidas, mas que pensa que ainda "pode tomar mais algumas", tendo sempre presente a necessidade de manter a consolidação orçamental.

"É uma declaração que vemos com bons olhos. Espero que o Governo tire a devidas ilações", referiu o presidente do Sindicato das Pescas do Norte, salientando que a posição de Cavaco Silva vem "contrariar" as declarações do ministro da Agricultura.

FZ/EA/SRS.

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