Barragem das Três Gargantas causa deslocação de quatro milhões de pessoas
A barragem das Três Gargantas vai obrigar à deslocação de mais quatro milhões de pessoas nos próximos 10 a 15 anos, que se juntam aos 1,4 milhões já deslocados, segundo autoridades chinesas citadas hoje pela imprensa oficial.
Os deslocados habitam nos distritos próximos da municipalidade de Chongqing, metrópole no centro da China, onde a água acumulada pelo maior projecto hidroeléctrico do mundo, que tem um reservatório de 600 quilómetros, já provocou a inundação de margens do rio Yangtze.
Segundo a agência de notícias Nova China, que cita o vice-presidente de Chongqing, Yu Yuanmu, as pessoas serão transferidos para localidades a uma hora de autocarro do centro da cidade, sendo que os primeiros dois milhões mudam nos próximos cinco anos.
"As deslocações eram necessárias para proteger a ecologia da área do reservatório", disse Yu, acrescentando que a medida respeita o plano de desenvolvimento urbano da região para o período 2007-2020.
Apesar da barragem representar um triunfo da engenharia chinesa e de muitos o encararem como a nova Grande Muralha, o projecto provocou graves problemas ambientais, que o governo só começou a reconhecer recentemente.
No mês passado, as autoridades admitiram que a barragem pode conduzir a uma catástrofe se não se tomarem medidas preventivas contra os danos ambientais em curso.
O projecto foi sempre uma bandeira do Partido Comunista Chinês apesar das críticas ao custo, preocupações ambientais e com os deslocados.
A China iniciou o projecto da Barragem das Três Gargantas em 1993, com um orçamento de 180 mil milhões de renminbi (16,9 mil milhões de euros).
As 17 turbinas em funcionamento na barragem, que corta o rio Yangtze a meio, produziram 23,77 mil milhões de quilowatts de electricidade na primeira metade de 2007, 2,65 mil milhões a mais do que em igual período do ano passado.