Batalha contabiliza 15,6 ME em prejuízos em infraestruturas municipais
Os prejuízos em infraestruturas municipais da Batalha, como rede viária, edifícios ou saneamento básico, devido ao mau tempo, estão contabilizados em 16,5 milhões de euros (ME), disse o presidente da autarquia do distrito de Leiria, André Sousa.
"Os prejuízos de infraestruturas municipais, desde rede viária, taludes, edifícios municipais, infraestruturas e equipamentos de saneamento básico, maquinaria, são de 15.626.704 euros", afirmou à agência Lusa André Sousa, referindo que o valor é sem IVA.
André Sousa adiantou que, numa primeira fase, foi feito um levantamento de cerca de três milhões de euros, relativo apenas a edifícios.
"Depois, com a consequência das outras tempestades e das chuvas, o nosso principal prejuízo está mesmo na rede viária, nos talude e muros de suporte à contenção de vias municipais", explicou.
O autarca disse esperar do Governo "a abertura de avisos e das linhas de apoio quanto antes", avisando que não se pode esperar até ao próximo inverno para arranjar as vias municipais.
"Temos de aproveitar esta janela oportunidade do verão, para prepararmo-nos para o próximo inverno", defendeu.
A Câmara tem este ano um orçamento de 27 milhões de euros.
"Com este montante de prejuízo - eu sei que, comparado com Marinha Grande e Leiria, não é um valor tão expressivo -, mas tendo em conta a nossa dimensão, é um valor que compromete, claramente, a gestão orçamental", referiu André Sousa eleito presidente da Câmara em outubro último.
Admitindo que o impacto do mau tempo é um revés para concretizar o programa autárquico, André Sousa lembrou que no orçamento 23 ME já estavam comprometidos, "sobretudo com as obras que vinham do anterior mandato", como o centro de saúde ou escolas, para reconhecer que este "acrescentar de prejuízos" vai limitar a ação política do executivo.
Para colmatar esta situação, há que ir procurar fontes de receita alternativas e fazer cortes, adiantou o autarca, antecipando que "a população também não irá perceber se, daqui a um, dois ou três anos" ocorrer um problema semelhante e o município ainda não ter geradores, "pelo menos para suportar o funcionamento do abastecimento de águas".
"Para ter as mínimas condições de garantir, numa situação destas, o abastecimento de águas, precisamos de sete geradores que custam 400 mil euros e temos de fazer esses investimentos", defendeu.
O presidente do município assumiu a necessidade de reorganizar o programa com que o executivo se apresentou a eleições "para aquilo que é o basilar da vida e da qualidade de vida das populações, que são as estradas municipais, o saneamento básico, são as infraestruturas de apoio".
Quanto aos danos ocorridos em coletividades, instituições particulares de solidariedade social e entidades religiosas, remetidos à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, o levantamento aponta para 3,7 ME, destacando-se, neste campo, a destruição do pavilhão da Associação Recreativa Amarense.
Já os prejuízos no património cultural, incluindo o Mosteiro da Batalha, apesar de, neste caso, ainda estar a ser feita avaliação, contempla também, por exemplo, a Ponta da Boutaca, pedreiras históricas e painéis turísticos, são de quase 1,6 ME.
Já no que se refere ao património das juntas de freguesia, os estragos atingem 158.700 euros.
"São danos muito severos e que vai impossibilitar os municípios de ter outra ação municipal que não seja a recuperação. Este mandato é para a recuperação", acrescentou.
Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências.