Economia
Guerra no Médio Oriente
BCE mantém taxa nos 2% mas DECO alerta para subida nas prestações da casa
Num comunicado enviado às redações, a associação de defesa do consumidor - DECO aponta para uma subida da Euribor refletida num aumento das prestações do crédito para habitação já no próximo mês de abril.
Apesar de a Administração Trump estar a pisar no acelerador da crise energética a cada dia que passa da guerra no Irão, o Banco Central Europeu decidiu esta quinta-feira manter a sua taxa de juro diretora nos 2%, acreditando que conseguirá apesar de tudo conter uma escalada de inflação na União Europeia.O comunicado do BCE diz que a guerra "terá um
impacto significativo na inflação a curto prazo através de preços mais
elevados dos produtos energéticos". Os reflexos a médio prazo
"dependerão quer da intensidade quer da duração do conflito e da forma
como os preços dos produtos energéticos afetarão os preços no consumidor
e a economia".
A medida garante para já a estabilização dos créditos à habitação, mas a DECO aponta que a “subida recente dos preços da energia e dos combustíveis” num “contexto internacional marcado pela guerra” pode já nos próximos meses vir a refletir-se numa subida das prestações.
Com a guerra do Irão a ameaçar alastrar para um conflito regional em todo o Médio Oriente, o BCE arriscou a manutenção da taxa de referência para os empréstimos bancários, o que acontece pela sexta vez consecutiva, apesar de ter saído da reunião de hoje dos governadores uma revisão em alta da inflação para 2,6% este ano (antes 1,9%), 2,0% em 2027 (antes 1,8%) e 2,1% em 2028.
Do outro lado do Atlântico, a Fed (Reserva Federal dos Estados Unidos) decidiu igualmente no mesmo sentido e manteve ontem os juros inalterados.
Porém, a DECO alerta para o que diz serem já os “mercados a reagir ao aumento da inflação”.
“As taxas Euribor, utilizadas como indexante na maioria dos contratos de crédito à habitação com taxa variável em Portugal, já inverteram a tendência de descida das últimas semanas e iniciaram a subida que se tem intensificado nos últimos dias”, escreve a associação de defesa do consumidor no comunicado enviado às redações.
De acordo com a DECO, desde que começou a guerra, “a Euribor a 6 meses, o indexante mais utilizado no crédito à habitação em Portugal, já subiu quase 8,5%” e “no caso da Euribor a 12 meses a subida aproximou-se dos 14%”.
Segundo as contas da DECO, a manter-se esta tendência até final do mês, “as médias da Euribor em março deverão aumentar em 5,6% e 13,7%, respetivamente, podendo esta última superar os 2,5”.
Segundo as contas da DECO, a manter-se esta tendência até final do mês, “as médias da Euribor em março deverão aumentar em 5,6% e 13,7%, respetivamente, podendo esta última superar os 2,5”.
O aumento não será sentido em todos os empréstimos ao mesmo tempo, já que depende da data em que cada contrato é revisto.
Comparando com o mês de fevereiro, “isso significará uma subida das prestações para os contratos cujo banco faça a revisão em abril”, acrescenta o comunicado, calculando para uma família com um crédito de 150 mil euros a 30 anos, spread de 1% e Euribor a 6 meses, um acréscimo de pelo menos 13 euros na prestação.