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Principais países europeus pedem a Israel fim da expansão de colonatos

Os governos de Itália, Reino Unido, França e Alemanha apelaram hoje a Israel para que interrompa a expansão dos colonatos na Cisjordânia e responsabilize os colonos israelitas pela violência dirigida contra a população palestiniana.

Lusa /
Mohammed Torokman - Reuters

Numa declaração conjunta, os líderes das principais potências europeias condenaram a violência crescente dos colonos nos territórios ocupados, alertando que "atingiu níveis sem precedentes".

Além disso, afirmaram que as políticas e práticas do Governo israelita estão a "minar a estabilidade e as perspetivas de uma solução de dois Estados" para o problema israelo-palestiniano.

"Apelamos ao Governo de Israel para que ponha fim à expansão dos colonatos e dos poderes administrativos, assegure a responsabilização pela violência dos colonos e investigue as denúncias contra as forças israelitas", afirma a declaração.

Os líderes europeus instaram também Israel a "respeitar a custódia hashemita dos lugares sagrados em Jerusalém e os acordos históricos do estatuto", que decorre da anexação israelita da parte oriental da cidade, considerada ilegal pelas Nações Unidas.

Paralelamente, pediram o levantamento das restrições financeiras impostas à Autoridade Palestiniana, que governa partes da Cisjordânia, bem como medidas para aliviar a situação da economia no território.

As quatro potências destacaram o projeto de desenvolvimento na zona conhecida como E1, um corredor estratégico de expansão de colonatos perto de Jerusalém Oriental que, alertaram, "dividirá a Cisjordânia" em duas partes.

"O direito internacional é claro: os colonatos israelitas na Cisjordânia são ilegais. Os projetos de construção na área E1 não seriam exceção", adverte a declaração.

O grupo de países europeus apelou ainda às empresas privadas para evitarem concursos de construção nesta área, apontando potenciais problemas legais e danos para a sua reputação, "incluindo o risco de envolvimento em graves violações" do direito internacional.

"Opomo-nos firmemente àqueles, incluindo membros do Governo israelita, que defendem a anexação e a deslocação forçada da população palestiniana", conclui a declaração.

A Cisjordânia vive um aumento substancial da violência desde os ataques do grupo islamita palestiniano Hamas, em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, que desencadearam a guerra na Faixa de Gaza.

A par do conflito no enclave palestiniano, Israel expandiu os seus colonatos ilegais na Cisjordânia e aumentou a restrição de movimentos da população, ao mesmo tempo que dispararam atos de violência atribuídos às forças israelitas e a colonos radicais.

Entre 07 de outubro de 2023 e 13 de maio de 2026, as Nações Unidas registaram 1.095 palestinianos mortos, dos quais 240 eram crianças, na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental.

Desde o início do ano, a violência custou a vida a 49 palestinianos.

Os colonos israelitas, que residem em assentamentos ilegais na Cisjordânia, em violação do direito internacional, assediam diariamente a população, roubando as suas culturas e animais e invadindo as suas casas em ataques violentos, que por vezes resultam em assassínios a coberto da impunidade.

As deslocações forçadas atingiram mais de 40 mil habitantes nos últimos três anos, de acordo com dados da agência da ONU para os Refugiados Palestinianos (UNRWA), organização proibida por Israel. 

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