BCE reduz perdas em 83,5% para 1.300 milhões euros em 2025

BCE reduz perdas em 83,5% para 1.300 milhões euros em 2025

O Banco Central Europeu registou uma perda de 1.300 milhões de euros, menos 83,5% que a de 2024 (7.900 milhões de euros), devido à considerável redução das despesas líquidas com juros depois da queda das taxas de juro.

Lusa /

O BCE informou hoje que as perdas de 2025, assim como as de exercícios anteriores, serão compensadas com lucros futuros.

Devido às perdas, o BCE não distribuirá lucros aos bancos centrais nacionais da zona euro em 2026.

O BCE não distribuiu lucros aos bancos centrais em 2023 (referente ao exercício de 2022) pela primeira vez desde 2007 e é possível que não volte a fazê-lo até daqui a uma década.

As perdas incorridas desde 2022 ocorrem depois de muitos anos a registar lucros e são resultado das compras de dívida e das decisões sobre as taxas de juro.

O BCE comprou títulos principalmente com taxas de juro fixas e vencimentos a longo prazo, o que resultou no consequente aumento do passivo, pelo qual o BCE paga juros a taxa variável.

Posteriormente, o BCE aumentou as suas taxas de juro em 2022 e 2023 para combater a elevada inflação na zona euro, que aumentou os gastos com juros que paga aos bancos comerciais.

No entanto, as receitas de juros nos ativos do BCE, especialmente os títulos adquiridos nos programas de compra de dívida pública e privada, não aumentaram na mesma medida.

Os gastos com juros foram reduzidos depois de o BCE ter voltado a baixar as taxas de juro desde junho de 2024 e reduziu a sua carteira de dívida após o vencimento dos bónus.

"As despesas líquidas com juros em 2025 foram significativamente inferiores às dos exercícios anteriores", disse o BCE.

Em concreto, os gastos líquidos com juros do BCE caíram em 2025 para 178 milhões de euros, contra 6.983 milhões de euros em 2024.

A taxa de remuneração média foi de 2,3% em 2025, em comparação com 4,1% em 2024, como resultado das quedas nas taxas de juro do banco central.

Também contribuiu para a queda das despesas com juros, embora em menor medida, que aplicasse a taxa de juro da facilidade de depósito como base para a remuneração, em vez da das operações principais de financiamento.

As perdas cambiais ascenderam a 1.316 milhões de euros (contra 81 milhões de euros em 2024) e deveram-se fundamentalmente à depreciação do iene japonês, que reduziu o valor das posses em moeda nipónica.

O BCE espera voltar a obter lucros em 2026 ou no exercício seguinte, mas isso dependerá dos futuros níveis das taxas de juro e das taxas de câmbio, assim como da dimensão e da composição do balanço.

Em qualquer caso, o BCE pode operar eficazmente e manter a estabilidade de preços independentemente das perdas.

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