BCP diz que fica entusiasmado com entrada em bolsa do Novo Banco

O presidente executivo do BCP disse hoje que a ida do Novo Banco para a bolsa, a confirmar-se, deixa o BCP entusiamado e não tira qualquer valor ao banco que lidera.

Lusa /

"Se Novo Banco for para mercado ficaremos entusiasmados, não tira nenhum valor ao BCP", afirmou Miguel Maya em conferência de imprensa, acrescentando que o BCP é o único banco português em bolsa e fica satisfeito com companhia.

Já sobre o interesse do BCP no Novo Banco, Maya voltou a repetir a ideia de que o objetivo do banco "é crescimento orgânico", mas que é sua "obrigação analisar" quando uma operação vai ao mercado.

"Não estamos em nenhuma corrida", disse o gestor.

Acerca do valor do Novo Banco, afirmou Maya que não comenta, mas que a valorização do Novo Banco valoriza o BCP.

"Não faço comentário nenhum. Se for esse valor fico ainda mais entusiasmado sobre quanto pode valer o BCP", afirmou.

Em final de janeiro, o Jornal de Negócios noticiou que a Lone Star está a avaliar o Novo Banco em 5.000 milhões de euros. Em junho de 2024, o Fundo de Resolução comprou ao Estado mais 4,14% do Novo Banco por 128 milhões de euros (passando a deter 13,54%), pelo que avaliou então o banco em mais de 3.000 milhões de euros.

No início de fevereiro, à margem de uma conferência sobre imobiliário, Miguel Maya disse à Lusa que o BCP não comprará ações do Novo Banco se este for para bolsa e que avaliará a possibilidade de aquisição apenas numa venda direta.

"Não faz sentido para nenhuma instituição estar a comprar uma parte de outra. O que faz sentido, a fazer sentido, seria em lógica de consolidação para ir buscar eficiências de produtos e eficiências operativas", afirmou.

Contudo, o presidente executivo do BCP também considerou que é possível haver primeiramente uma dispersão de capital do Novo Banco em bolsa e "mais tarde processos de consolidação".

"Não são incompatíveis", disse Miguel Maya então.

O Novo Banco foi criado em 2014 para ficar com parte da atividade bancária do Banco Espírito Santo (BES), na resolução deste.

Em 2017, 75% do banco foi vendido ao fundo de investimento norte-americano. O Estado detém direta e indiretamente 25% do capital do Novo Banco (o Fundo de Resolução detém 13,54% e o Estado detém 11,46% através da Direção-Geral do Tesouro e Finanças).

De acordo com as informações públicas, o objetivo da Lone Star é para já vender parte do capital do Novo Banco (25% a 30% do capital), estando a preparar uma dispersão em bolsa (através de uma OPV ou IPO - Initial Public Offering na expressão em inglês habitualmente usada).

Ainda não é conhecido se a entrada em bolsa será em Lisboa ou se poderá ser escolhida outra praça financeira.

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