BCP "estuda" Pequim, Xangai e Cantão para abertura de sucursal na China
Macau, China, 09 out (Lusa) - O Banco Comercial Português (BCP) pediu uma licença de pleno direito para abrir uma sucursal na China para explorar "nichos de mercado" com a mira apontada às cidades de Pequim, Xangai e Cantão, disse em entrevista à Agência Lusa o diretor-geral da sucursal de Macau.
"Apresentámos o pedido de licença de abertura e ainda estamos a estudar um dos três pólos", apontou José João Pãosinho, ao indicar que o banco "não está a considerar" Hong Kong por se tratar de "um mercado maduro".
Na China "o objetivo do banco não será fazer retalho porque seria um suicídio em termos financeiros", vincou o diretor da sucursal do BCP. "A orientação será mais para nichos de mercado privilegiando-se a necessidade de empresas chinesas e de particulares com negócios no âmbito da lusofonia".
"Basta que consigamos penetrar nessa área para que o volume de negócios seja suficientemente atrativo".
Um ano depois de ter iniciado atividade plena em Macau, deixando o `offshore`, o balanço do BCP "é positivo", avaliou José João Pãosinho.
"Foi-nos possível oferecer taxas de juro competitivas nos depósitos, beneficiar de operações de crédito com `spreads` interessantes e, simultaneamente, alargar operações com algumas empresas da China, em especial da província de Cantão, que têm relações comerciais com países africanos de língua portuguesa", explicou.
O desenvolvimento da filial "assentou naquilo a que o banco chamou de triângulo China-Europa-África" e que passou a "losango" depois de o banco somar ao seu "objetivo estratégico" operações com o Brasil, onde apresentou um pedido de licença numa parceria com o Banco Privado Atlântico de Angola.
No âmbito das atividades no Oriente, "está em curso um acordo com o China Development Bank, que vai permitir uma linha de financiamento à sucursal do BCP em Moçambique de montantes significativos para apoio à economia moçambicana intermediada pela nossa subsidiária", adiantou José João Pãosinho.
Em Macau, o BCP continua a desenvolver os acordos estabelecidos com o ICBC em termos de remessas de emigrantes chineses quer em Portugal, quer em África, bem como "as operações de `trade-finance` e a lançar as bases daquilo que virá a ser a sucursal no futuro", disse o responsável.
"Continuamos num processo de crescimento, mas cauteloso", referiu, ao realçar que a conjuntura internacional assim o recomenda. Depois do "excecional" 2010, "apontamos atingir, no final do ano, a faixa dos cinco milhões de euros, observou, ao recordar que a alteração para `onshore` passou a implicar pagamento de impostos.
"Fechámos com 6,7 milhões [de euros], mas tivemos um conjunto de operações não recorrentes, se evoluirmos para um número daquela grandeza será um ano razoável", disse, ao defender que o BCP está a cumprir aquilo a que se propôs.
Atualmente, o segmento mais forte são os depósitos, depois de o banco ter procedido à `desalavancagem` para aumentar o grau de liquidez, com o euro a assumir "um peso significativo".
"Somos bastante competitivos em termos de taxas de juro", disse ao explicar que a rede de balcões da concorrência acarreta custos não existentes no BCP.
Este ano, o BCP lançou várias iniciativas oferecendo, entre outras, operações em renmimbis sem as restrições que a maior parte dos clientes encontra em Macau de apenas poder transacionar um montante limitado por dia, embora isso não seja possível em dinheiro vivo.
Apesar de haver clientes a procurar o renmimbi como "moeda de refúgio", José João Pãosinho lembrou que existe uma "barreira significativa", devido a "restrições muito fortes às transferências" entre Macau e a China.
DM.