BE acusa Governo de "negociatas", Passos defende opções do executivo
Lisboa, 19 jun (Lusa) - A porta-voz do Bloco de Esquerda (BE) acusou hoje o Governo de fazer "negociatas" com privados e que não asseguram o interesse público, com o primeiro-ministro a defender as opções do Governo nomeadamente a nível de privatizações.
No debate quinzenal que hoje decorre no parlamento, a porta-voz do BE trouxe para a discussão a edição de 08 de junho do Diário da República onde foi publicado um ajuste direto, no valor de 77 milhões de euros, à empresa que ficou com os Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC).
"Quando os estaleiros eram públicos, o Estado cancelou o contrato. Vende os estaleiros a uma empresa privada. E depois o Estado faz ajustes diretos a essa empresa privada", frisou Catarina Martins.
E prosseguiu: "Isto é negociata. Isto é ataque ao interesse público".
Na resposta, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse que o Governo tomou a "melhor opção" relativamente aos estaleiros.
"Os Estaleiros de Viana do Castelo durante todo o tempo em que atuaram acumularam passivos elevados. A atividade desenvolvida dava prejuízo à empresa", sublinhou o governante.
Passos declarou ainda que a "prova" da boa decisão do Governo está, por exemplo, na salvaguarda de postos de trabalho.
E, dirigindo-se a Catarina Martins, reforçou: "Escolheu um tema errado para mostrar o seu ponto de vista. Aqui não há negociata nenhuma. Salvou-se o emprego, a construção naval e a reparação naval em Viana do Castelo apesar de termos necessidade de fazer a subconcessão dessa atividade, por concurso público, de forma transparente".
A bloquista confrontou também o primeiro-ministro com aquilo que diz terem sido os cortes em matérias como o rendimento social de inserção, complemento solidário para idosos, e subsídio de desemprego, por exemplo.
"Os senhores da maioria prejudicaram e muito as pessoas com mais baixos rendimentos. Os senhores da maioria PSD e CDS aumentaram a pobreza em Portugal e hoje uma em quatro pessoas é pobre. Mentir sobre isto e um insulto profundo à dignidade humana", advogou Catarina Martins.
Pedro Passos Coelho reconheceu que "a crise afetou todos", mas sublinhou que "não houve pensionistas, nem funcionários públicos de mais baixos rendimentos que tivessem sido objeto de qualquer corte de rendimento".