BE acusa Montenegro de estar a ser o "pai do desespero e da pobreza acentuada"

BE acusa Montenegro de estar a ser o "pai do desespero e da pobreza acentuada"

O coordenador do BE, José Manuel Pureza, acusou hoje o primeiro-ministro, Luís Montenegro, de estar "a ser o pai do desespero e da pobreza acentuada" por adotar medidas para combater a crise que diz serem "migalhas e esmolas".

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"Luís Montenegro está a ser, com a sua inação, com a sua recusa em tomar medidas corajosas para apoiar as famílias que têm menos, está a ser o pai do desespero, está a ser o pai da pobreza acentuada", criticou, em declarações à Lusa, José Manuel Pureza.

Esta manhã, o primeiro-ministro disse que não ia ser o "pai da austeridade", tendo o lider bloquista aconselhado Luís Montenegro a, "com humildade, reconhecer que este é o tempo de ter gestos diferentes daquilo que o dogma ideológico lhe manda fazer".

"Ele está a ser teimosamente fiel à sua ideologia liberal e não está, por isso mesmo, a ir ao encontro das necessidades das pessoas", criticou.

Pureza concluiu das últimas declarações do chefe do executivo que este vai "teimar até ao fim em não fazer coisa nenhuma sobre aquilo que as pessoas mais precisam".

"Disse-o sob a forma de `temos de ter contas certas`, mas na verdade as contas das famílias são cada vez menos certas. Pagar o supermercado, a farmácia, a renda de casa com um salário ou uma pensão baixa, cada vez mais baixa, é condenar as pessoas a terem contas incertas", condenou.

Para o antigo deputado do BE, todas as pessoas "com uma vida aflita" sabem que os "bónus aos pensionistas e as pequenas descidas no IRS são migalhas, são esmolas, que entretanto já foram engolidas pela subida dos juros pelo Banco Central Europeu, por subidas constantes dos combustíveis".

O coordenador do BE, que participou esta tarde numa conversa com a eurodeputada e ex-líder do BE, Catarina Martins, sobre o direito à habitação, no Porto, considerou que a crise da habitação "é uma crise antiga demais para tanta gente".

"É uma crise antiga demais para tanta gente, que tem tanta dificuldade em pagar a renda da casa, em pagar a prestação do banco, o empréstimo do banco para a compra de habitação e, sobre isso, o primeiro-ministro, o governo, não dizem rigorosamente coisa nenhuma", condenou.

Avisando que "a aflição vai continuar" com as subidas da taxa Euribor, Pureza recordou uma proposta com a qual o BE já avançou no final do mês de agosto.

"A nossa proposta é muito simples. Havendo subida de juros dos empréstimos, a Caixa Geral de Depósitos deve baixar a sua margem de lucro nessa exata medida", sintetizou.

De acordo com o coordenador do BE, a Caixa "pode fazê-lo e, fazendo-o, não perderá".

"Ganhará menos, é certo, mas obrigará todo o sistema bancário a ir no mesmo sentido", explicou.

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