BE considera "ajuste de contas" polémica entre PSD e CDS com governador
Lisboa, 18 Jan (Lusa) - O Bloco de Esquerda (BE) atribuiu hoje a um "ajuste de contas" a polémica sobre o BCP entre PSD, CDS-PP e o governador do Banco de Portugal por causa do défice de 6,3 por cento do Governo PSD-CDS.
"Essa é uma luta que a direita fará", afirmou o deputado bloquista Francisco Louçã, na reunião da comissão parlamentar de Economia e Finanças, em que Vítor Constâncio está a ser ouvido sobre a acção do banco central quanto a aspectos da investigação a operações ilícitas, realizadas há anos pelo BCP
Louçã ironizou que a proposta de comissão de inquérito (admitida pelo PSD e defendida mais abertamente pelo CDS-PP), permitirá também fazer "uma avaliação, em público", dos administradores e banqueiros portugueses, como Joe Berardo, Filipe Gonçalves ou os representantes da Sonangol.
"Anseio por esse dia", confessou, por entre risos dos deputados.
O deputado bloquista perguntou, mas ficou sem resposta de Constâncio, se as contas do BCP, nos últimos anos, não reflectem a realidade do banco, dado que não estavam consideradas as contas das "offshores" com que o banco terá chegado a operar.
Muitas das questões colocadas por Francisco Louçã - sobre as taxas de empréstimos da CGD ou o destino das 17 "offshores" sob suspeita, por exemplo - não foram respondidas por Constâncio, que alegou o segredo bancário.
Da parte do PCP, o deputado Honório Novo considerou que houve muitas omissões do Banco de Portugal e descreveu a reunião de hoje como se Vítor Constâncio "fosse um ministro".
"Com o PS a protegê-lo e os partidos da oposição a criticá-lo", afirmou, o que considerou ser um "sinal de que algo vai mal".