BE diz que destino da lei do arrendamento é o "caixote do lixo" e vê Ventura "à rasca"
O coordenador do BE defendeu hoje que a lei do arrendamento terá como destino o "caixote do lixo" e considerou que o presidente do Chega está "à rasca" depois de se ter disponibilizado para viabilizar a proposta do Governo.
Em conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa, após uma reunião da Mesa Nacional do BE, José Manuel Pureza defendeu que o Governo, "perante a grandeza das mobilizações, perante a enorme capacidade de juntar gente, não tem outro remédio que não seja ouvir, e ouvir bem, aquilo que a rua está a dizer".
"O Governo, se fosse responsável, não faria outra coisa que não fosse ouvir, escutar com atenção e tomar decisões em relação a isso", sustentou, criticando as palavras do ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, que disse que o executivo não vai ceder "aos gritos que vêm da rua".
Minutos depois de André Ventura ter anunciado um conjunto de medidas para a habitação, Pureza afirmou que o presidente do Chega demonstrou estar numa "situação aflitiva" depois do acordo com o PSD que permitiu aprovar na generalidade as alterações à lei do arrendamento propostas pelo Governo.
"Dizendo as coisas em bom português, André Ventura está à rasca. É o que resulta claramente daquela conferência de imprensa", atirou.
O líder bloquista antecipou que as alterações à lei do arrendamento terão o mesmo destino da revisão da lei laboral que o Governo pretendia fazer: "Isso vai acontecer e já todos perceberam que isso vai ser assim, dada a força das mobilizações [...]. O destino dessa lei é o mesmo que teve o pacote laboral, ou seja, o caixote do lixo".
Inquirido sobre as propostas anunciadas pelo Chega, Pureza acusou Ventura de ter dedicado mais de metade da conferência de imprensa à imigração enquanto votou favoravelmente o regime dos vistos `gold`.
"A única coisa que seria séria por parte de André Ventura, é essa única proposta que, na verdade, ele tem que fazer, é a proposta de rasgar o acordo que fez com o PSD", afirmou.
Pureza afirmou que "só a esquerda está em condições de apresentar propostas" que respondam à "aflição das pessoas", recordando as iniciativas do Bloco para fixar tetos nas rendas e atribuir à Caixa Geral de Depósitos "um papel orientador em matéria de política de crédito para a compra de habitação", reduzindo as suas margens de lucro na mesma proporção de eventuais aumentos das taxas de juro do Banco Central Europeu (BCE).
Questionado sobre a postura do Presidente da República nesta matéria, o coordenador do Bloco sublinhou que o partido "nunca teve nenhuma ilusão" sobre António José Seguro, mas considerou "lamentável" que o chefe de Estado se tenha pronunciado "não para falar de habitação", mas sim de segurança.