BE quer conhecer alegadas contrapartidas exigidas pela Nissan

O deputado do Bloco de Esquerda (BE) na Assembleia da República Pedro Filipe Soares questionou hoje o Governo sobre as alegadas contrapartidas exigidas pela Nissan para o investimento na fábrica de baterias em Aveiro, agora suspensa.

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Numa pergunta dirigida ao Ministério da Economia e do Emprego, o parlamentar eleito pelo distrito de Aveiro pergunta quais as contrapartidas exigidas pela Nissan para o investimento na fábrica e quais as que já foram cumpridas pelo Governo português.

O bloquista quer saber também se o Governo vai exigir à empresa nipónica a devolução das contrapartidas já realizadas.

Pedro Filipe Soares lembra que o processo que levou a Nissan a indicar Portugal como um dos países que iria receber uma das fábricas de construção de baterias para veículos elétricos teve o apoio público do Governo da altura, sublinhando que "uma vasta comitiva ministerial" participou no lançamento da primeira pedra.

O parlamentar considera, por isso, necessário que se tornem públicas as contrapartidas que foram dadas à Nissan para que o investimento ocorresse em Aveiro.

"Segundo o Ministro da Economia da altura, haveria apoios financeiros, fiscais ou apoios do QREN, pelo que é necessário esclarecer os portugueses de que apoios se falava", acrescentou.

O Bloco de Esquerda quer também "esclarecimentos" do Governo sobre esta decisão que "apanha o país e, principalmente, os habitantes do distrito de Aveiro, de surpresa".

"Como é possível que o Governo, que tantas vezes fala em diplomacia económica, falhe agora o cumprimento de um investimento estrangeiro que estava completamente acertado?", questiona Pedro Filipe Soares.

O deputado do Bloco lembra, por outro lado, que o investimento iria criar 200 postos de trabalho numa região "extremamente fustigada" pelo desemprego, defendendo que a anunciada suspensão "levanta a necessidade da existência de compensações que possibilitem a criação de emprego que, agora, ficará frustrada".

A fábrica de baterias para carros elétricos que iam abastecer os veículos da aliança Renault Nissan começou a ser construída em fevereiro passado no complexo industrial da Renault, em Cacia, e deveria começar a laborar no início do próximo ano.

A decisão de suspender a fábrica de baterias portuguesa, foi anunciada na passada segunda-feira pelo porta-voz da Nissan, António Pereira-Joaquim.

Em declarações à Lusa, aquele responsável explicou que, após análise detalhada do plano de negócios, a empresa chegou à conclusão que "as quatro fábricas espalhadas por todo o mundo seriam suficientes para os objetivos".

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