BES expande-se em Espanha e cumpre "ambição de longa data"

O Banco Espírito Santo detalhou esta sexta-feira o negócio que lhe abriu caminho para a compra da sociedade gestora de entidades de investimento colectivo Gespastor, por 25,7 milhões de euros, e de metade da seguradora Pastor Vida, por cerca de 100 milhões. Ao anunciar a operação acertada com o Banco Pastor, entre os sete maiores grupos do sector da banca em Espanha, o CEO do BES salienta que a expansão para o país vizinho “é uma ambição de longa data”.

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A operação negociada entre o BES e o Banco Pastor, da Galiza, está sujeita à luz verde das autoridades competentes Manuel Almeida, Lusa

O contrato de aquisição da totalidade do capital social da Gespastor ao galego Banco Pastor foi celebrado a 5 de Agosto. A data e o preço do negócio, 25,750 milhões de euros, foram confirmados num comunicado remetido à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). A operação foi conduzida através da Espírito Santo Gestión, detida pela ESAF Espanha, uma sociedade do Grupo BES.

Segundo o comunicado enviado ao organismo de supervisão, metade do valor vai ser pago "na data de fecho da transacção e o remanescente no prazo de dois anos". A aquisição "será acompanhada de um acordo de comercialização exclusiva com o Banco Pastor pelo prazo inicial de sete anos". A compra da Gespastor significa que a Espírito Santo Gestión "passa a gerir mais de 2.800 milhões de euros".

"A concretização desta transacção integra-se na estratégia de crescimento da actividade de gestão de activos do Grupo Espírito Santo que, em Espanha, desenvolve a sua actividade através da ESAF Espanha com duas sociedades: ES Gestión e ES Pensiones que, em conjunto, gerem 1.550 milhões de euros de activos sob gestão", acrescenta o banco de Ricardo Salgado na nota à CMVM.

"Ambição de longa data"

Na óptica de Ricardo Salgado, ouvido pela agência Lusa, a compra da Gespastor permite que o Banco Espírito Santo aumente "a profundidade da acção na gestão de activos financeiros". O CEO do BES lembra que o Banco Pastor dispõe, em Espanha, de uma rede de 600 balcões.

"Expandir para Espanha é uma ambição de longa data do BES, mas não houve oportunidade de o fazer em boas condições no passado", explicou o banqueiro, acrescentando que o negócio se concretiza depois de as partes terem "descoberto complementaridades que podem potenciar o desenvolvimento dos dois grupos".

Quanto à aquisição de metade da Pastor Vida, Ricardo Salgado mostra-se convicto de que a operação, conduzida através da Tranquilidade, "reforça a actividade seguradora do Grupo Pastor, o que é um factor de complementaridade para o grupo. Ao mesmo tempo, permite "alargar a acção" do BES em solo espanhol. Ambos os grupos, salientou o presidente do banco português, "pretendem manter a sua independência como grupos bancários e financeiros, mas isso não impede que se encontre formas de colaboração para potenciar sinergias e complementaridades".

BES "foi penalizado" nos testes de resistência

Os detalhes do negócio para a compra da Gespastor foram anunciados no dia em que o Banco de Portugal divulgou os resultados dos testes de resistência do BES e do Santander Totta, a pedido das duas instituições bancárias, que quiseram ser avaliadas em separado. Nos testes de stress conduzidos pelo Comité de Supervisores Bancários Europeus (CEBS, na sigla em Inglês), cujos resultados foram conhecidos a 23 de Julho, apenas sete de 91 entidades financeiras da Zona Euro apresentaram resultados negativos. Em Portugal não se registaram quaisquer reprovações.

Os dados divulgados pelo Banco de Portugal após o encerramento do mercado mostram que o Santander Totta é a marca com maior grau de resistência entre as instituições avaliadas no país, seguindo-se o BPI, o BCP e a Caixa Geral de Depósitos. O BES aparece em último lugar. Por outro lado, o banco de Ricardo Salgado revela-se mais resistente do que a sua holding: o Santander Totta apresenta um rácio Tier 1 de 13 por cento, em caso de "cenário adverso com choque adicional de risco soberano em 31 de Dezembro de 2011"; o rácio atribuído ao BES é de 7,5 por cento, acima dos seis por cento exigidos pelo Banco de Portugal para classificar a instituição como resistente.

Nas declarações que fez à Lusa, a poucas horas da divulgação dos testes, Ricardo Salgado sustentava que o BES "foi penalizado" por "vários aspectos nos pressupostos que foram adoptados" pelo CEBS. De acordo com o banqueiro, não foi levada em linha de conta a reduzida taxa de sinistralidade do BES; ademais, o facto de a instituição ter "provisões muito fortes penalizou a projecção das provisões no futuro" e os testes não contemplaram a "diversificação de participações financeiras" do BES "em mercados que não estejam correlacionados com a Europa, como é o caso de participações detidas nos Estados Unidos e Brasil".

"Fomos penalizados por vários itens que, tenho a certeza, serão tidos em consideração no desenvolvimento futuro dos testes de resistência", antecipava Ricardo Salgado.

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