BIC selecionou 186 ME dos melhores créditos do BPN Crédito

Lisboa, 26 jun (Lusa) - O administrador do BPN Crédito disse hoje, no parlamento, que o BIC selecionou 186 milhões de euros dos melhores créditos daquele banco, o que poderá tornar menos atrativa a sua venda, apesar do impacto positivo nos rácios de solvabilidade.

Lusa /

O administrador do BPN Crédito Jorge Pessoa, explicou hoje, na Comissão de Inquérito ao Banco Português de Negócios, que o Estado permitiu, no processo de venda ao BIC, que este banco luso-angolano escolhesse créditos do BPN Crédito, uma vez que a seleção da carteira de crédito do BPN não tinha atingido os 3150 milhões de euros negociados.

Do BPN Crédito, o BIC selecionou créditos no valor de 186 milhões de euros, disse aos deputados.

"Foi selecionada a melhor carteira do BPN Crédito, bem cotada e sem sinistralidade", considerou, detalhando que, do valor total, 150 milhões de euros são de crédito ao consumo, sobretudo automóvel.

Quanto à carteira de crédito que permaneceu no BPN Crédito, cerca de 350 milhões de euros, Jorge Pessoa considerou-a "aceitável", mas afirmou que a "probabilidade de degradação é rápida se não for trabalhada".

Apesar da saída dos créditos mais saudáveis da instituição, Jorge Pessoa referiu que estes foram pagos ao valor nominal, pelo que o "BPN Crédito recebeu 186 milhões de euros e permitiu liquidar igual montante de dívida", além de que melhorou o rácio de solvabilidade `tier 1` do banco para quase 10 por cento, melhorando a sua perceção pelo mercado.

No entanto, também afirmou que a saída desses créditos "tornou menos atrativo o ativo para vender".

O BPN Crédito está em processo de venda, decorrendo conversações com três entidades interessadas, disse hoje Jorge Pessoa, adiantando mais tarde, ainda durante a audição, que acredita que "só uma" chegará a uma fase mais adiantada das negociações.

Além de ter funções de gestão no BPN Crédito (assim como em outras empresas do grupo BPN, que passaram para o controlo estatal), Jorge Pessoa integra também o conselho de administração da Parvalorem, Parups, e Parparticipações, os veículos estatais que absorveram grande parte das imparidades do BPN.

O gestor, tal como os também administradores das Pars, Mário Gaspar e Rui Pedras, está agora demissionário, devendo cessar funções a 30 de junho, depois de a secretária de Estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque, ter dado conta da intenção de nomear uma nova equipa.

 

 

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