Economia
Black Friday. Bons negócios ou promoções que enganam?
É um momento do ano em que milhares de portugueses aproveitam para fazer compras, em particular presentes de Natal. De acordo com um relatório da consultora Deloitte, cada família portuguesa prevê gastar em média 387 euros nesta época, mais nove euros do que em 2018, mas menos de metade do valor pré-crise e abaixo da média europeia de 461 euros. Mas serão as promoções do Black Friday mesmo boas? Para evitar surpresas, a DECO criou uma ferramenta online para comparar a evolução dos preços ao longos dos últimos tempos.
Black Friday é normalmente sinónimo para grandes descontos. Mas será bem assim?
A DECO - Defesa do Consumidor alerta que os preços baixos anunciados podem nem sempre ser assim tão baixos.
Em 2015 e 2016, por exemplo, diz a DECO que foram "detetados vários casos de subida dos preços dias antes do Black Friday, por forma a simular promoções mais interessantes, mas enganosas para o consumidor".
Nos anos seguinte, 2017 e 2018, foram igualmente encontrados exemplos dessas falsas promoções, embora menos do que nos anos anteriores.
Para informar os consumidores sobre a realidade dos preços e das promoções, a DECO criou uma ferramenta online onde é possível pesquisar a evolução dos preços dos produtos nas lojas online ao longo dos últimos dias.
Perante o resultado, o consumidor fica com uma ideia se a promoção é ou não positiva.
Explica a DECO que para fazer essa comparação "basta pesquisar o nome da loja e do produto, ou, mais simples ainda, inserir na caixa “Pesquisa pelo URL” o link completo do produto tal como surge na loja online. O resultado devolvido é um semáforo com três cores e significados diferentes, baseados no histórico de preços dos últimos 7 e 30 dias".
Se receber um semáforo verdes, trata-se de um bom negócio. Amarelo, produtos "cujos preços atuais exibam pouca diferença em relação aos 30 dias precedentes". E vermelho "quando a compra é desaconselhada porque o preço do produto já esteve mais baixo".
Para aceder a essa ferramanta online criada pela DECO clique aqui.
Comprar no Black Friday. Conselhos antes de avançar
Para começar, o consumidor deve pesquisar preços e recolher o máximo de informação sobre os produtos que está interessado. "Alguns vendedores propõem-se a igualar os preços mais baixos do mercado caso os consumidores lhes apresentem provas da prática de preços mais baixos, nos mesmos produtos, por outras lojas", diz a DECO.
Caso pretenda comprar em lojas online, deve registar-se "como utilizador alguns dias antes da Black Friday. A grande afluência a estes websites em dias de promoções pode dificultar o processo de compra, tornando-o mais lento".
Deve verificar a qualidade dos produtos. Isto porque as promoções "podem prometer muito e cumprir pouco", diz a DECO.
É também muito importante conhecer as políticas de compra e devolução. Recorda a DECO que "se a compra for feita online tem o direito de devolver o produto no prazo de 14 dias. O mesmo não acontece se comprar numa loja física, onde o comerciante não está obrigado a receber devoluções (exceto em caso de defeito, por exemplo)".
É fundamental ter cuidade com as burlas. "É muito fácil criar contas em redes sociais para publicitar lojas fictícias ou vender produtos contrafeitos e pirateados", alerta a DECO. "Tenha cuidado com as ofertas que parecem demasiado boas para ser verdade e verifique bem as informações divulgadas nesses canais, para garantir que não cai em fraudes.
O Black Friday nasceu nos EUA como estratégia, para as lojas, de escoar os stocks e preparar a chegada dos produtos e novidades do Natal. Foi dessa necessidade de criar espaço que surgiram os grandes descontos na última sexta-feira de novembro. Em Portugal, o conceito tanto é usado na forma original de promoção de um dia só, como se estende por mais alguns dias antes ou depois.
C/ Lusa