BP cria fundo para indemnizar vítimas na costa norte-americana
Na sequência de uma reunião na Casa Branca entre o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, o vice-presidente Joe Biden e o presidente executivo da BP, Tony Hayward, a petrolífera acedeu a dotar um fundo com 16,3 mil milhões de euros para futuras indemnizações a vítimas da maré negra no Golfo do México. Durante o fim-de-semana, Londres pedira a Washington "garantias" de que as compensações não colocassem em perigo a viabilidade da petrolífera.
Esta quarta-feira, após o encontro entre Obama e Hayward, um responsável da Casa Branca anunciava a primeira medida concreta para fazer face aos milhões de dólares em prejuízos que estão a afectar as populações e as economias costeiras dos Estados Unidos: a constituição de um fundo de mais de 16 mil milhões de euros destinado a futuras indemnizações.
The New York Times avança na sua edição online que à frente deste fundo ficará Ken Feinberg, o advogado que geriu as indemnizações às vítimas dos atentados terroristas do 11 de Setembro em Nova Iorque.
Já ontem Barack Obama havia anunciado a partir da Sala Oval a determinação da sua Administração em obrigar a BP a reservar a verba necessária para financiar a recuperação da região mais afectada pela pior maré negra dos Estados Unidos (Louisiana, Mississípi, Alabama e Florida). O Presidente norte-americano trata de sublinhar que o valor definido pela companhia pode vir a ser revisto em alta: "Não é um plafond".
Futuro da BP preocupa Cameron
Em declarações à BBC, o primeiro-ministro britânico explicou ter tido o cuidado de, sem tentar esquivar a BP das suas responsabilidades, procurar garantias que assegurassem o futuro da própria companhia.
"O meu trabalho consiste em deixar claro que esta é uma companhia importante e na sequência da conversa com o Presidente (Obama) conclui-se que, se é essencial que paguem indemnizações razoáveis, e a própria BP aceita-as, também necessitam de um certo nível de segurança", declarou Cameron, admitindo que a BP receia uma infindável lista de pedidos de indemnização incluindo os múltiplos impactos indirectos provocados pelo derrame da plataforma "Deepwater Horizon".
Perante o tom crítico que tem marcado as intervenções de Obama, o chefe do Governo britânico respondeu que a "diplomacia do megafone" não é positiva para dirimir esta questão e apôs outros rumo: "O importante é que isto não se converta num problema entre os Estados Unidos e o Reino Unido".
BP com implicações no fundo de pensões britânico
A contínua desvalorização que se tem verificado nas praças internacionais com as acções da BP está a ter consequências directas para a contabilidade do Reino Unido, uma vez que os fundos de pensões britânicos contemplam uma grossa fatia que está aplicada em títulos daquela empresa.
Mantendo a tendência de queda que se verifica desde há várias semanas, os papéis da BP caíam esta manhã em Londres mais de quatro por cento.
Desde 20 de Abril, aquando da explosão da Deepwater Horizon, o valor em bolsa da petrolífera já acumulou perdas de 50 por cento.