Brasil com taxa de desemprego de 13,2% em 2021, a segunda mais alta numa década
O Brasil registou uma taxa média anual de desemprego de 13,2% em 2021, a segunda maior desde que começou a nova medição estatística, em 2012, num ano ainda marcado pelos efeitos da pandemia, segundo dados oficiais.
A taxa média de desemprego caiu de 13,8% em 2020 - a mais alta desde 2012 - para 13,2% em 2021, o que significa que há 13,9 milhões de pessoas à procura de emprego no país sul-americano, o segundo nível mais alto numa década, de acordo com um relatório divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O Brasil terminou 2021 com uma taxa média de emprego informal de 40,1%, enquanto cerca de 5,3 milhões de pessoas, classificadas como `desencorajadas`, desistiram de procurar emprego no ano passado.
Considerando apenas o quarto trimestre de 2021, o desemprego situou-se em 11,1% naquele período, o que representa uma queda de 1,5 pontos percentuais em comparação com o trimestre imediatamente anterior e de 3 pontos percentuais em relação período homólogo de 2020.
Mas entre outubro e dezembro do ano passado, o número de pessoas empregadas chegou aos 95,7 milhões.
As quedas registadas no desemprego, tanto no último trimestre, como na média anual, indicam uma "tendência de recuperação em relação a 2020", embora ainda longe da taxa de 2019 (12%), antes da chegada da covid-19 ao Brasil, refere o IBGE.
"Em 2021, com o avanço da vacinação e a melhoria do cenário, [da pandemia] houve um crescimento do número de trabalhadores, mas ainda persiste um elevado contingente de pessoas à procura de trabalho", afirma no relatório a coordenadora do Trabalho e Performance do IBGE, Adriana Beringuy.
A responsável considera que 2022 será finalmente um "ano de recuperação para alguns indicadores", mas ainda não um "ano de superação das perdas", pois o Brasil continuará a sentir os impactos da pandemia, que ainda afeta várias atividades económicas e influencia o desempenho dos trabalhadores.
"Há um processo de recuperação, mas ainda estamos longe dos níveis antes da pandemia", disse.
O relatório do IBGE também mostrou que o rendimento mensal médio dos trabalhadores manteve a tendência decrescente observada nos últimos meses e em 2021 situou-se em 2.587 reais (cerca de 517 dólares), uma retração de 7% em comparação com a média registada em 2020 e impulsionada pelo acentuado aumento da inflação.
"Embora a população empregada tenha crescido, este aumento não foi acompanhado pelo desempenho, ou seja, as pessoas que estão empregadas têm salários mais baixos", salientou a coordenadora.