Brasil leiloa na segunda-feira um dos seus maiores campos petrolíferos do pré-sal
Rio de Janeiro, Brasil, 19 out (Lusa) - O Governo brasileiro realizará na segunda-feira o primeiro leilão para exploração de petróleo sob o novo regime de partilha, que prevê regras diferentes das anteriores, e oferecerá uma das áreas do pré-sal de maior potencial do país.
A área a ser leiloada é identificada como prospeto de Libra, e está localizada em águas profundas, na Bacia de Santos, no litoral sudeste do Brasil, com uma reserva estimada entre 8 e 12 mil milhões de barris recuperáveis, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo do Brasil (ANP), que é responsável pelo leilão.
Caso a estimativa se confirme, Libra passará a ser o campo de maior produção do país, ultrapassando o de Tupi, também na Bacia de Santos, com reservas entre 5 e 8 mil milhões de barris.
O termo "pré-sal" designa uma formação de rochas sedimentares de mais de 100 milhões de anos, encontradas a uma profundidade de cerca de 6.000 metros abaixo do nível do mar, o que requer alta tecnologia para perfuração e produção.
A previsão é de que o contrato a ser assinado entre a empresa vencedora e a União, pessoa jurídica que representa todos os estados brasileiros, seja de cerca de 15 mil milhões de reais (2,9 mil milhões de euros).
O valor é pago como um "bónus" pelo direito à exploração da área, uma vez que o grau de previsibilidade do retorno do investimento é muito grande.
O novo regime de partilha prevê que parte da produção física do petróleo produzido pertencerá ao Estado brasileiro.
Vencerá o leilão o consórcio que oferecer a maior percentagem de óleo excedente, a começar pelo mínimo de 41,65 por cento da produção.
A nova regra prevê ainda que a petrolífera brasileira Petrobras seja, necessariamente, a operadora do consórcio vencedor com, no mínimo, 30 por cento de participação, seja qual for a empresa vencedora.
De acordo com a ANP, onze empresas registaram-se para participar no leilão, incluindo a Petrogal Brasil, formada por 70 por cento de capital da Galp e 30 por cento da chinesa Sinopec.
As demais companhias inscritas são: CNOOC International Limited e China National Petroleum Corporation (CNPC), a colombiana Ecopetrol, a japonesa Mitsui & Co, a indiana ONGC Videsh, a malaia Petronas, a anglo-holandesa Shell, a francesa Total, a hispano-chinesa Repsol-Sinopec, além da própria Petrobras.
Das onze inscritas, nove fizeram o pagamento da taxa de participação, no valor de 156 milhões de reais (52 milhões de euros), mas todas poderão participar, já que as que não pagaram podem formar consórcio para uma proposta conjunta com outras que o fizeram.
Na quinta-feira, sindicatos dos petroleiros iniciaram uma greve, por tempo indeterminado, contra a realização do leilão e manifestantes ligados à Federação Única dos Petroleiros (FUP) ocuparam o prédio do Ministério de Minas e Energia, em Brasília.
Manifestações contra o leilão também aconteceram no Rio de Janeiro e em São Paulo e o Exército foi convocado para participar no esquema de segurança durante o leilão, na segunda-feira.
A ANP confirma a realização do leilão, que acontecerá no Rio de Janeiro.