Brasileiro Bradesco quer criar centro de investimento em Lisboa
O Bradesco, maior banco privado brasileiro e parceiro do grupo Espírito Santo, quer criar em Lisboa um centro para apoio ao investimento para empresas e prestação de serviços financeiros aos imigrantes brasileiros.
Lázaro Mello Brandão, presidente do conselho de administração do Bradesco, disse hoje à Lusa que o projecto encontra-se actualmente em "fase de observação", e que prevê "ter uma presença mais como um posto de apoio de operações que envolvam empresas e em que o banco possa ter uma participação".
O centro, à semelhança de outros que o banco brasileiro tem em Nova Iorque e Buenos Aires, terá como missão "completar, fazer ligações com empresas que tenham relacionamento no Brasil" e posicionar-se na "remessa de divisas de emigrantes" do país em Portugal.
Fora da equação está uma presença no retalho, que chegou a ser anunciada para 2005.
"Remotamente gostaríamos de entrar na área de varejo [retalho], que é o nosso forte no Brasil; seria muito temerário disputar varejo com a concorrência de bancos locais que existe", afirmou hoje Mello Brandão, que está em Lisboa para participar numa acção de promoção da eleição do Cristo Redentor a Maravilha do Mundo, campanha apoiada pela área seguradora do Bradesco.
O objectivo de entrar no retalho em Portugal e Espanha, até final de 2005, foi assumido pelo presidente-executivo do banco, Marcio Cypriano, tendo como objectivo o atendimento a brasileiros emigrantes, para elevar a participação do banco nas remessas financeiras para o Brasil.
O Bradesco e o BES mantêm uma parceria que inclui participações cruzadas de perto de três por cento do capital, e Mello Brandão mostra-se disponível para aumentar a percentagem detida no capial social do banco português.
"Aumentar a participação depende da evolução, recentemente acompanhámos o aumento de capital [do BES], se [no futuro] houver oportunidade sim, estaremos disponíveis", disse à Lusa.
Além da expansão voltada para a área de apoio ao investimento, o Bradesco, afirma Mello Brandão, tem actualmente como prioridade o mercado interno,
"O banco é enfaticamente doméstico e há muitas oportunidades e brechas no Brasil", como exemplifica a rencente aquisição do Banco Postal, afirmou o presidente do Bradesco.
Além de uma participação pouco superior a três por cento no Banco Espírito Santo, o Bradesco detém 20 por cento do BES Investimento do Brasil.