Braval inicia em Junho produção de electricidade a partir do biogás

Braga, 30 Mar (Lusa) - A empresa intermunicipal "Braval", de Braga, que procede à valorização e tratamento dos resíduos sólidos no Baixo Cávado, inicia em Junho a produção de electricidade a partir do biogás, prevendo produzir dois megawatts de energia por hora.

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O director-geral, Pedro Machado adiantou hoje à Lusa que a produção de electricidade vai trazer uma receita anual de 800 mil euros, cerca de 66 mil euros por mês.

A Braval, Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos, SA, vai introduzir na rede nacional a energia que vier a produzir, através do aproveitamento do biogás desenvolvido no aterro sanitário da serra do Carvalho, na Póvoa de Lanhoso.

O projecto insere-se no Ecoparque Braval, um investimento de cerca de oito milhões de euros, apoiado em 69 por cento pela Comunidade Europeia.

A produção de energia eléctrica, que decorre do aval da Direcção-Geral de Geologia e Energia, inclui a ligação da unidade a um ponto de recepção de energia do Sistema Eléctrico Público.

A Braval tem, desde sexta-feira, como presidente do Conselho de Administração o empresário Domingos Névoa, no âmbito de um sistema rotativo em vigor na empresa municipal Agere de Braga, a sócia maioritária da empresa.

O BE pediu hoje a destituição de Domingos Névoa, afirmando que "a notícia de que é o novo presidente da `Braval`, não pode deixar de ser considerada como um prémio para o empresário, que se tornou conhecido do país pela tentativa de corrupção do vereador lisboeta Sá Fernandes, pela qual foi condenado há um mês".

O empresário foi condenado a pagar uma multa de cinco mil euros por tentativa de corrupção do vereador lisboeta José Sá Fernandes tendo o colectivo de juízes do Tribunal da Boa-Hora, em Lisboa, considerado apenas provada a prática de corrupção activa para acto lícito, argumentando que não ficou provado que Domingos Névoa pretendesse que Sá Fernandes violasse os seus deveres como vereador eleito da Câmara Municipal de Lisboa.

Domingos Névoa pretendia que José Sá Fernandes desistisse da acção popular que tinha interposto contra o negócio da permuta dos terrenos do Parque Mayer, propriedade da Bragaparques, pelos da Feira Popular, pertencentes á autarquia lisboeta.

O MP recorreu desta sentença por a achar "demasiado branda".

Pedro Machado, genro do presidente da Câmara de Braga, revelou que, nos próximos dois anos, serão investidos 30 milhões de euros em equipamentos e programas ambientais, nomeadamente no aumento da capacidade da estação de "Digestão anaeróbia e compostagem de resíduos florestais ou verdes".

A Braval avançou, igualmente, com a produção de uma Unidade do Biodiesel, através da recolha dos óleos alimentares usados.

O objectivo é recolher 40 mil toneladas por ano, tendo em vista a produção anual de 650 mil litros deste tipo de energia alternativa de combustíveis não fósseis.

Estes combustíveis estão já a ser usados por viaturas das diferentes câmaras e serviços municipais sociais da Braval, nomeadamente as de Braga, Vila Verde, Amares, Terras de Bouro e Povoa de Lanhoso.

Os investimentos em curso passam, ainda, pelo alargamento da actividade do Ecoparque Braval com uma nova unidade de reciclagem de plásticos, cadeiras, e produtos de electrónica.

"Com esta unidade não fica nada por reciclar", frisou Pedro Machado.

A empresa intermunicipal já implementou unidades de abate e reciclagem de veículos em fim de vida e de resíduos eléctricos, hospitalares não perigosos, verdes e florestais e cremadoras de animais.

Segundo o responsável, a Braval é "a segunda melhor empresa do ramo em Portugal, apesar de uma das mais pequenas em dimensão".

 

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