Economia
Brexit. Dez anos depois, um custo económico significativo para o Reino Unido
As consequências têm-se manifestado gradualmente ao longo dos anos, sob a forma de aumento da burocracia, atritos comerciais, incerteza na regulação e menor facilidade de comércio com o principal parceiro económico do país: a União Europeia.
"Recuperar o controlo". Este foi o slogan do Brexit. No plano económico, a promessa feita há dez anos era relativamente simples: deixar de contribuir para o orçamento da União Europeia (UE), recuperar o controlo sobre o comércio, a migração e as políticas regulatórias, assinar livremente acordos com o resto do mundo e estimular o crescimento através de uma economia mais ágil.
Dez anos depois, essa soberania foi, de facto, restaurada em vários aspetos. O Reino Unido negocia agora os seus acordos comerciais de forma independente. Assinou acordos com o Japão, a Austrália, a Nova Zelândia e os Estados Unidos.
Londres adotou também uma abordagem mais flexível em certas áreas, nomeadamente nas finanças e na inteligência artificial.
Quanto custa o Brexit ao Reino Unido?
Qual tem sido o custo económico desta autonomia recuperada? Uma das características distintivas do Brexit é o facto de os efeitos previstos não se terem concretizado de imediato.
Contrariamente aos cenários mais alarmistas apresentados em 2016, não se verificou um colapso repentino da economia britânica. As consequências têm-se manifestado gradualmente ao longo dos anos, sob a forma de aumento da burocracia, atritos comerciais, incerteza na regulação e menor facilidade de comércio com o principal parceiro económico do país: a União Europeia.
Um custo concreto do BrexitNo que diz respeito à avaliação geral, as principais instituições estão agora, em grande medida, de acordo.
O Gabinete de Responsabilidade Orçamental do Reino Unido estimou, já em 2018, que o Brexit reduziria o comércio do Reino Unido em 15 por cento e a produtividade em 4 por cento a longo prazo.
Reafirmou esta avaliação em 2024. O Banco de Inglaterra partilha uma avaliação semelhante. O Instituto Nacional de Investigação Económica e Social estima também que o emprego e a produtividade sejam 3–4 por cento mais baixos e que o investimento registe um atraso de 12–18 por cento.
Uma avaliação semelhante é apresentada pelo NBER, uma organização privada de investigação económica dos EUA: num estudo publicado em 2025, conclui que o PIB do Reino Unido se situa atualmente 6 a 8 por cento abaixo do nível que provavelmente teria atingido sem o Brexit.
Um último dado: as exportações de bens do Reino Unido para a União Europeia diminuíram 14 por cento entre 2019 e 2025 segundo o BNP Paribas.E quanto ao futuro? Crescimento relativo Para os economistas que defendem o Brexit, considera-se que os verdadeiros obstáculos ao crescimento do Reino Unido estão mais relacionados com aumentos de impostos, regulamentações mais restritivas, custos energéticos e instabilidade política.
Então, quais são as previsões atuais? As instituições já não prevêem um colapso. O FMI prevê um crescimento do Reino Unido de cerca de 1,3 por cento até 2029, próximo do da França e superior ao esperado para a Alemanha.
No entanto, organizações como o Gabinete de Responsabilidade Orçamental do Reino Unido continuam a acreditar que a economia britânica permanecerá mais fraca do que no caso do país ter ficado na União Europeia.
Dez anos após o referendo, quando se pergunta a que custo o Reino Unido recuperou a sua soberania, as principais estimativas apontam para: vários pontos percentuais do PIB.
Diane Burghelle-Vernet / 22 junho 2026 09:55 GMT+1
Edição e Tradução / Joana Bénard da Costa - RTP