BRICS terão grande papel no crescimento mundial nas próximas décadas
O fundador da Web Summit, Paddy Cosgrave, defendeu que, nas próximas décadas, a maioria do crescimento mundial virá "do resto do mundo, em oposição o Ocidente" e que a conferência tecnológica não poderia ficar para trás.
"O mundo está a mudar, e a mudar rapidamente. Os BRICS [Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul], particularmente, vão ter um papel cada vez maior, de crescimento nas próximas décadas", sublinhou, Paddy Cosgrave, em entrevista à Lusa, na Web Summit que se realiza pela primeira na cidade brasileira do Rio de Janeiro.
Na opinião do empreendedor irlandês, no futuro, a maioria do crescimento virá "do resto do mundo, em oposição em Ocidente".
"Como uma das maiores importantes conferências tecnológicas no mundo temos de estar nesses lugares", disse, justificando a abertura da conferência que se realizará pelo menos nos próximos três anos na conhecida como `Cidade Maravilhosa`.
"É grande país, gigante economia. Se és uma empresa ambiciosa ou empreendedor ambicioso provavelmente quererás vir para o Brasil", afirmou.
De forma a fazer crescer a Web Summit em Lisboa, considerou, é necessário fazer crescer a marca nos mercados "onde o crescimento vai acontecer".
"É por isso que estamos no Brasil", frisou.
Esta primeira edição na América do Sul terá impacto em Lisboa: "em novembro vamos assistir ao maior grupo de latino-americanos, empresas e empreendedores" em Lisboa, garantiu.
Sobre esta primeira edição no Rio de Janeiro, Paddy Cosgrave disse que está a ser muito maior do que planeavam.
A ambição seria de 5.000 participantes na edição que se realiza desde segunda-feira até quinta-feira.
O resultado final: 21.367 participantes de 91 países, 974 startups, representando 28 setores
"Muito mais do que nós esperávamos, muito mais do que o Brasil esperava", concluiu.
Portugal está representado na Web Summit Rio por 25 `startups`, ligadas a áreas como `software`, educação ou inteligência artificial.
BlockBee, Blue Insight Technologies, Deeploy.me, Dizconto, Enline, Frontfiles, Go Beesiness, Hoopers, IDE Social Hub, Infinite Foundry, ITERCARE, Knok Healthcare, LEADZAI, Mentorise, Modatta e Move, assim como a My Data Manager, MyCareforce, ndBIM, Neroes, Sensei, SheerME, Swood, Vawlt Technologies e Wallstreeters são os representantes portugueses.
A cofundadora do movimento Black Lives Matter, Ay? Tometi, a presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, responsáveis máximos de bancos e empresas brasileiras, a presidente executiva da plataforma Onlyfans, Amrapali Gan, e o primeiro-ministro de Cabo Verde, José Ulisses Correia e Silva, vão juntar-se aos mais de 300 oradores, às cerca de 900 `startups`, investidores e jornalistas, de mais de 100 países, numa cimeira na qual serão discutidos temas como tecnologia, sociedade, inteligência artificial, alterações climáticas, entre outros.
Entre os vários oradores estão ainda o secretário de Estado da Internacionalização português, Bernardo Ivo Cruz, vários atores e apresentadores brasileiros, a ministra dos Povos Indígenas do Brasil, Sonia Guajajara, o ex-jogador da seleção portuguesa de futebol Deco e a apresentadora portuguesa Cristina Ferreira.
O evento tecnológico, que nasceu em 2010 na Irlanda, passou a realizar-se na zona do Parque das Nações, em Lisboa, em 2016, e vai manter-se na capital portuguesa até 2028. A empresa anunciou recentemente a expansão para o Médio Oriente, com a Web Summit Qatar prevista para o início de 2024.