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Bruxelas admite possíveis ações caso falte combustível de aviação na UE

Bruxelas admite possíveis ações caso falte combustível de aviação na UE

A Comissão Europeia reiterou hoje que não existe uma escassez de combustível, nomeadamente para aviação, na União Europeia (UE), mas assegurou preparação para "possíveis ações" e lembrou a "capacidade significativa" para refinar petróleo bruto no espaço comunitário.

Lusa /

"Não existe qualquer escassez de combustível na UE neste momento. Obviamente, parte da preparação passa por falar com os cidadãos, informá-los, e sabemos que a situação não é ideal", disse a porta-voz do executivo comunitário Eva Hrncirova.

Falando na conferência de imprensa da instituição, em Bruxelas, a responsável apontou que "a disponibilidade de combustíveis de aviação é uma prioridade e é importante dizer que aqui na UE também existe uma capacidade significativa para refinar petróleo bruto e produzir combustível de aviação".

"Estamos a preparar-nos para possíveis ações", assinalou.

Eva Hrncirova admitiu que a crise energética causada pelo conflito no Médio Oriente "obviamente afeta os mercados aqui na União Europeia".

"O nosso papel é sobretudo coordenar e preparar diferentes cenários. Temos o grupo de coordenação do petróleo, que se reuniu na semana passada, e o grupo também voltará a reunir-se no final desta semana", referiu.

Ainda assim, lembrou que "tudo depende da evolução da situação", reforçando que, "nesta fase, não há escassez de combustível na UE".

Na sequência dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão e da consequente resposta iraniana, há cerca de dois meses, têm vindo a verificar-se perturbações no estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, o que afeta o combustível para aviação já que este depende diretamente do preço e disponibilidade do petróleo bruto.

Os ministros dos Transportes da UE vão reunir-se na terça-feira, numa videoconferência informal, para debater os impactos do conflito no Médio Oriente para o setor, nomeadamente para a aviação dada a pressão sobre o combustível.

Na passada quinta-feira, o diretor da Agência Internacional de Energia disse que a Europa tem "talvez mais seis semanas de combustível para aviões", alertando para possíveis cancelamentos de voos em breve se o abastecimento de petróleo continuar bloqueado.

No mesmo dia, a Associação das Companhias Aéreas em Portugal disse que, para já, não há impacto na operação, mas admite a possibilidade de cancelamentos de voos e preços mais altos se a crise energética persistir.

As leis da UE obrigam os Estados-membros a manter reservas estratégicas para 90 dias, tanto de petróleo como de gás.

No que diz respeito ao petróleo, cabe aos Estados-membros decidir que parte dessas reservas de 90 dias corresponde a petróleo bruto e que parte corresponde a produtos refinados, incluindo querosene e combustível de aviação.

Uma escalada do conflito que envolve Irão, Estados Unidos e Israel tem impactos diretos no setor dos transportes, nomeadamente marítimo em qualquer perturbação no Estreito de Ormuz.

Na aviação, assiste-se a fecho ou a restrição do espaço aéreo, maior consumo de combustível e custos operacionais mais elevados.

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