Cabo Verde e FMI vão avaliar novos apoios apenas após fim dos programas atuais
A secretária de Estado das Finanças cabo-verdiana admitiu hoje a possibilidade de o país negociar um novo programa de apoio financeiro com o Fundo Monetário Internacional (FMI), mas só após concluir "com sucesso" os acordos em vigor.
"O objetivo principal não é ter um novo programa ou não, é terminar o que temos com sucesso", afirmou Maria José Lopes em declarações à Lusa, durante as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, em Banguecoque.
Cabo Verde deverá concluir em dezembro dois programas financiados pelo FMI: um destinado ao reforço da administração pública e do desempenho económico, no valor de cerca de 60 milhões de euros entre 2022 e 2026, e outro dedicado à resiliência climática, de 29 milhões de euros entre 2023 e 2026.
De acordo com Maria José Lopes, só depois da avaliação final destes programas o Executivo decide, em conjunto com o FMI, qual o modelo de cooperação futura.
"Vamos juntamente com o FMI desenhar novos programas, desde que estejam em harmonia com o programa do Governo e com as prioridades do país", explicou.
A responsável indicou que ainda não existe qualquer decisão sobre a continuidade da assistência financeira, admitindo vários cenários, desde a extensão dos programas atuais até à negociação de um novo acordo.
"O que queremos agora é aprofundar as relações que já existem entre Cabo Verde e o FMI", afirmou, acrescentando que o Executivo pretende apresentar à instituição as suas prioridades, centradas na equidade, acessibilidade e valorização do fator humano nas políticas públicas.
Num comunicado publicado na segunda-feira pelo Governo de Cabo Verde, é indicado que o diretor executivo do FMI, André Roncaglia, considerou que o país tem enfrentado desafios complexos de "forma exemplar", apoiando-se na estabilidade macroeconómica alcançada para "preparar uma nova etapa de desenvolvimento económico e social".
Questionada sobre as previsões económicas divulgadas hoje pelo FMI para Cabo Verde, Maria José Lopes considerou à Lusa que as estimativas estão alinhadas com as expectativas do executivo.
O FMI prevê que Cabo Verde cresça 5% em 2026 e 2027, depois de uma expansão estimada de 6,3% em 2025, mantendo-se entre as economias africanas lusófonas com melhor desempenho. A inflação deverá situar-se em 1,2% este ano e 2,8% em 2027, enquanto o desemprego permanecerá estável em 8,5%.
Maria José Lopes atribuiu estes resultados à cooperação de quase cinco décadas entre o arquipélago e a instituição financeira internacional.
"Cabo Verde tornou-se independente há 51 anos e contamos com o apoio do FMI há 48 anos. Tudo o que construímos foi, de certa forma, juntos", afirmou, acrescentando que tanto a estabilidade macroeconómica como a sustentabilidade das finanças públicas beneficiaram do apoio técnico e financeiro da organização.
A governante destacou também o reconhecimento obtido pelo país no cumprimento dos compromissos assumidos com o Fundo.
"Todos os membros do FMI têm enaltecido o grande desempenho de Cabo Verde", disse, salientando a capacidade do país para responder a choques externos e desafios climáticos.
"O FMI não apenas aposta firmemente em Cabo Verde, como também tem um interesse muito grande em aprofundar esta relação e ajudar o país a encontrar os caminhos que pretende seguir na construção do desenvolvimento de longo prazo", acrescentou.