Cadeia "Marrachinho" desaparece em Novembro após compra pelos "Mosqueteiros"
Uma das duas únicas marcas algarvias de supermercados, a cadeia "Marrachinho", vai desaparecer a partir de Novembro depois de a totalidade das lojas ter sido adquirida pelo grupo francês "Os Mosqueteiros", em Março.
A cadeia "Marrachinho" nasceu em Albufeira em 1970 e era, a par da "Alisuper", uma das únicas dedicadas ao comércio a retalho com origem na região, detendo 16 lojas no distrito de Faro e duas em Beja.
As 18 lojas foram em Março adquiridas pelos "Mosqueteiros", que detêm, entre outras, as insígnias "Intermarché" e "Ecomarché", e o grupo vai deixar cair o nome da cadeia algarvia a partir de Novembro.
"É mais uma machadada na economia do Algarve", resume Gilberto Sousa, presidente da Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve (ACRAL), que lamenta que desapareça uma das poucas médias empresas da região.
A cadeia "Marrachinho" começou a dar os primeiros passos na década de 1950, quando os proprietários se instalaram nas Areias de São João, em Albufeira, e construíram ao lado de casa uma pequena dependência destinada ao negócio de frutos verdes e secos.
Poucos anos depois, acrescentaram uma pequena mercearia e no Verão de 1970 abriu no Algarve o primeiro supermercado "Marrachinho", que se expandiu por toda a região mas cuja maior parte das lojas se concentrava em Albufeira.
Em declarações à agência Lusa, Gilberto Sousa considerou "lamentável" que o poder político "continue a permitir" que grandes grupos proliferem em detrimento da economia regional.
"Espanta-me como em Portugal ainda não se percebeu que as Pequenas e Médias Empresas [PME] fortalecem o desenvolvimento da economia", diz, criticando o facto de a cadeia ter sido vendida a um grupo que "nem sequer é português" e cujos accionistas se desconhece.
Para Gilberto Sousa, os grandes grupos económicos, além de serem "insensíveis" aos problemas regionais e "alheios" às questões sociais, contribuem para uma maior instabilidade a nível de emprego.
"A central de compras será do grupo, os técnicos superiores também, resta-nos os funcionários das caixas de supermercado", afirma, lamentando a probabilidade de os produtos regionais deixarem de ser vendidos naquelas lojas.
A aquisição de 18 supermercados "Marrachinho" faz parte da estratégia dos "Mosqueteiros" em reforçar a sua posição no Sul do país, disse à Lusa o director comercial alimentar do grupo.
Abílio Almirante, que se escusou a adiantar o valor da operação, concretizada em Março após meses de negociação, disse apenas que a compra da rede algarvia permitiu ao grupo encaixar mais de 50 milhões de euros de facturação.
A agência Lusa tentou contactar os antigos proprietários da cadeia, mas nenhum quis prestar declarações sobre a operação de venda das lojas.
Das 18 lojas adquiridas, 11 serão transformadas em Intermarché (lojas de retalho alimentar de maior dimensão) e seis em Ecomarché (supermercados de menor dimensão), sendo que o grupo francês se assume agora como o "número um" a nível regional.
O grupo "Os Mosqueteiros" possui 259 postos de venda espalhados pelo país, com seis insígnias: Intermarché, Ecomarché, Bricomarché (bricolage, jardinagem e decoração), Stationmarché (centros automóveis de reparação e manutenção), Vêtimarché (vestuário) e Netto (lojas de "hard-discount").
Com uma quota de mercado de 12 por cento, são o terceiro grupo em facturação e o segundo em área, fazendo parte dos planos de expansão de "Os Mosqueteiros" a abertura de 42 lojas e a aquisição de postos de abastecimento de combustíveis.
Em 2007, serão investidos entre 60 a 70 milhões de euros, valor que se divide entre aquisições e compra de terrenos, prevendo-se um aumento de 4,5 por cento em facturação.