Câmara de Mortágua diz que é urgente regulamentar-se apoio a salários
Mortágua, Viseu, 30 out (Lusa) - O presidente da Câmara de Mortágua defendeu hoje que é urgente a publicação da portaria que regulamente a medida anunciada pelo Governo de apoio ao pagamento de salários aos trabalhadores com emprego em risco em consequência dos incêndios.
"Ainda hoje tivemos uma reunião com a Segurança Social, que nos falou de `layoff` e de algumas medidas nossas velhas conhecidas, mas não nos falou do que foi dito pelo secretario de Estado das Florestas e anteriormente pelo ministro do Planeamento, que era de nos três meses após incêndio haver, da parte do Governo, apoio ao pagamento dos salários nas empresas que ficaram totalmente destruídas e sem hipóteses de, no imediato, retomarem atividade", apontou José Júlio Norte.
De acordo com o autarca do Mortágua, esta é "uma situação que tem de ser muito bem esclarecida", sendo urgente "uma portaria a regulamentar isso".
"É que até nós autarcas ficamos numa situação desconfortável, porque nós falamos de uma maneira e eles falam de outra: nós falamos com o que nos dizem os políticos e eles falam em função da tutela", lamentou.
O Governo anunciou no dia 21 uma medida temporária, num mínimo de três meses, de apoio ao pagamento de salários de trabalhadores com emprego em risco em consequência dos incêndios, que poderá atingir os 13 milhões de euros.
Esta resolução foi anunciada pelo ministro do Trabalho e da Segurança Social, Vieira da Silva, durante uma conferência de imprensa realizada a meio do Conselho de Ministros extraordinário destinado a tomar medidas de prevenção e combate aos fogos florestais e à reparação dos prejuízos resultantes dos incêndios.
Em declarações à agência Lusa, José Júlio Norte aludiu ainda a uma outra situação "muito complicada" e que lhe está a dar "muitas dores de cabeça".
"Refiro-me às pessoas que viviam da agricultura de subsistência, muitos deles apenas com 200 e poucos euros de reforma, e que tinham um palmo de terra onde punham batatas, cebolas, verduras e sobreviviam, com mais meia dúzia de litros de azeite e uns almudes de vinho. Mas, isso foi tudo à vida e não há medidas para estes casos", apontou.
Nas suas preocupações está também a recuperação do tecido empresarial afetado pelos incêndios, que deve ser "muito célere".
"Há muita gente a querer trabalhar e era bom que o governo, com a maior rapidez possível, implementasse as medidas anunciadas em relação à recuperação do tecido empresarial. Se elas não avançarem, é complicado e, no caso de Mortágua, até temos duas empresas que neste momento poderiam absorver parte do material lenhoso ardido, com menor valor económico. Refiro-me à Central Termoelétrica e a Pellets Power", concluiu.