Câmara de Valongo questiona administração da STCP sobre "incumprimento"

Valongo, Porto, 07 jul (Lusa) - A câmara de Valongo anunciou hoje que vai questionar o conselho de administração da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) por ter sido alertada para o "incumprimento" das carreiras de autocarros que servem o concelho.

Lusa /

Em causa estão, lê-se num comunicado da autarquia de Valongo, as linhas 705, 706, 707, duas das quais consideradas "muito importantes" uma vez que fazem a ligação deste concelho ao Hospital de São João, no Porto.

"Fui informado que num dos sábados do mês de junho, as linhas 705, 706 e 707 não circularam durante toda a manhã. Isto é muito grave, até porque duas dessas linhas são fundamentais para quem necessita do Hospital de São João, o que deixa muita gente sem acesso a este equipamento de saúde onde existe a única urgência pública", afirmou o presidente da câmara de Valongo, José Manuel Ribeiro.

O autarca reagia a esta situação após uma reunião com nove delegados das diversas organizações representativas dos trabalhadores da STCP, um encontro que serviu para José Manuel Ribeiro tomar conhecimento, conforme descreve nota da câmara, que "a taxa de cumprimento dos horários da STCP, que antigamente era superior a 99%, é atualmente de 70%".

"Isto significa 1.500 viagens diárias que não se realizam e o concelho de Valongo que é servido por sete linhas da STCP tem sido muito prejudicado, o que é inadmissível e inaceitável pois estamos a falar de um serviço público para garantir mobilidade às pessoas", lamentou José Manuel Ribeiro,

O presidente da autarquia recorda que "muitas pessoas dependem dos transportes públicos para terem acesso aos locais de trabalho, aos estabelecimentos de ensino e aos equipamentos de saúde, designadamente ao Serviço de Urgência do Hospital de São João, onde têm obrigatoriamente de recorrer, após o encerramento das urgências de Valongo".

A câmara de Valongo informa que na reunião estiveram presentes representantes da Comissão de Trabalhadores da STCP, do Sindicato Nacional dos Motoristas (SNM), do Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes da Área Metropolitana do Porto (STTAMP), do Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes (SITRA), do Sindicato dos Transportes Rodoviários Urbanos do Norte (STRUN), da Associação sindical dos Motoristas dos Transportes Coletivos do Porto (SMTP), bem como da Comissão Intersindical.

Também em comunicado, a autarquia de Valongo conta que os representantes dos trabalhadores atribuíram "a taxa de incumprimento dos horários de 30% ao défice de motoristas, cerca de 140 a menos", bem como denunciaram que "os motoristas têm sido alvo de agressões muito graves por parte da população revoltada com a supressão de horários e a degradação do serviço".

"Isto é muito preocupante pois estamos a criar as condições para uma autêntica guerra civil ", concluiu José Manuel Ribeiro, manifestando, desta forma, "solidariedade para com os trabalhadores afetados pelo processo de privatização da STCP".

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