Camargo Corrêa nega alterações à posição na Cimpor sem esclarecer se estuda OPA
Lisboa, 20 out (Lusa) -- A brasileira Camargo Corrêa afirmou hoje não existir qualquer alteração relativamente à posição que detém na Cimpor, sem esclarecer se está a estudar reforçar a sua posição na cimenteira portuguesa.
A empresa brasileira reagiu assim, em comunicado, à notícia avançada hoje pela agência de informação financeira Bloomberg, segundo a qual a Camargo Corrêa e a Votorantim estão em negociações para comprar a totalidade da Cimpor, citando duas pessoas não identificadas e conhecedoras da transação.
"A Camargo Corrêa esclarece que não são referidas em tais notícias quaisquer declarações, nem citadas fontes desta companhia, pelo que as mesmas são da inteira responsabilidade dos seus autores", lê-se no comunicado.
A empresa esclarece que "não existe qualquer alteração" relativamente à sua posição na Cimpor, sem adiantar se está a estudar ou se tem interesse em realizar alguma operação de reforço da sua posição na cimenteira portuguesa.
A Camargo Corrêa e a Votorantim detêm atualmente 54,1 por cento da Cimpor e pretendem, segundo noticiou a Bloomberg, comprar o resto de modo a que a Camargo Corrêa fique com as operações da cimenteira portuguesa no Brasil, enquanto a Votorantim se dedicaria aos projetos fora daquele país.
Segundo a Bloomberg, esta operação será de cerca de 1,5 mil milhões de euros, partindo do preço das ações da Cimpor no fecho do mercado na quarta-feira.
Hoje, a Cimpor disse à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) desconhecer qualquer intenção dos seus acionistas Camargo Corrêa e Votorantim de comprar a totalidade da cimenteira portuguesa, afirmou à Lusa fonte oficial do regulador.
"Pedimos esclarecimentos logo pela manhã ao conselho de administração da Cimpor, que nos disse desconhecer qualquer intenção desta natureza por parte dos acionistas", disse à Lusa fonte oficial da CMVM.
O administrador financeiro (CFO) da Cimpor afirmou hoje, em Madrid, que "não há uma OPA lançada" sobre a empresa, mas admitiu que o grupo é "sempre apetecível" pela sua destacada performance internacional e que o interesse "vem hoje de outras latitudes".
"Neste momento não temos nenhuma indicação de nenhum dos dois acionistas sobre os rumores", disse à Lusa Jorge Saraiva.
Em julho deste ano o diretor de relações institucionais da Camargo Corrêa, Kalil Cury Filho, admitiu à Lusa que uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a Cimpor estava em cima da mesa, sendo "uma questão de análise estratégica de mais longo prazo que [a empresa tem] de analisar no momento adequado".
Além dos dois grupos brasileiros, há 10,7 por cento de ações da Cimpor detidas por Manuel Fino, 10 por cento na posse do fundo de pensões do BCP e 9,6 por cento na Caixa Geral de Depósitos, estando os restantes 15,6 por cento dispersos em bolsa.
Pelas 15:00, as ações da Cimpor subiam 5,99 por cento para 5,29 euros.
CSJ(ASP/TDI/IM)