Camionistas retidos na fronteira de Irun queixam-se de falta de apoio e de informação

Vilar Formoso, Guarda, 10 Jun (Lusa) - Camionistas portugueses retidos na fronteira de Irun, impedidos de entrar em Espanha, começam a dar sinais de saturação e queixam-se de falta de informação por parte das autoridades francesas, disse hoje à Lusa um motorista bloqueado em França.

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Segundo o motorista Eduardo Pinto, parado no lado francês da fronteira de Irun desde as 01:00 de domingo, estão ali estacionados "mais de cinquenta camionistas portugueses" que estão impedidos de entrar em território espanhol devido à greve dos camionistas do país vizinho.

O motorista que saiu da Alemanha com um carregamento de "material da Opel" para uma empresa do Carregado, disse que os camionistas portugueses estão no meio de um "impasse" e apenas sabem o que se passa em Espanha "pela televisão".

"Tudo o que sabemos é pela televisão. As notícias são poucas, ninguém nos diz nada, acompanhamos as coisas pela TVE espanhola", contou.

Eduardo Pinto salientou que os camionistas portugueses começam a "ficar saturados" por estarem retidos "desde Domingo" e não terem "notícias nenhumas".

"Já pensámos telefonar para o Consulado Francês para nos darem informações, para sabemos quando é que os espanhóis abrem a fronteira", adiantou, admitindo "ligar ainda hoje".

Segundo o camionista, os portugueses parados em Irun sentem-se "abandonados" porque "nem entidades policiais, nem sindicatos, nos têm dito nada".

"A ansiedade começa a ser grande, porque não sabemos se saímos daqui amanhã, na quinta ou na sexta-feira", relatou.

Referiu que os motoristas portugueses parados em Irun "estão em grupo".

"A malta vai comendo e bebendo e passamos o tempo a pregar ´mentiras` uns outros", frisou.

O motorista disse que caso a paragem se prolongue por muitos dias, alguns portugueses poderão ficar sem alimentos, uma vez que a reserva de comida existente "dará, possivelmente, para mais uns dois dias".

Eduardo Pinto contou à Lusa que está parado numa área que tem WC mas outros colegas estão "bloqueados na beira da estrada", sem condições.

Referiu que camionistas com quem tem contactado dão conta "que há muitas represálias" em Espanha.

"Dizem que [os grevistas] cortam os tubos do ar [dos camiões] e fazem ameaças que partem as camionetas" nas estradas, acrescentando que no país vizinho "não vale a pena andar porque as represálias são grandes".

No caso de Eduardo Lourenço, retido com mais seis camionistas da sua empresa - Transportes Calhandro, de Loures - a entidade patronal está ao corrente da situação e "pedem-nos para termos paciência".

ASR.

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