Caracas e Washington pedem que reforma da Lei da Mineração seja rápida
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, pediu na quarta-feira, juntamente com o secretário do Interior dos EUA, Doug Burgum, que a reforma da Lei da Mineração, que ainda tem de ser apresentada ao Parlamento venezuelano, seja acelerada.
A reforma visa alargar o quadro legal para o desenvolvimento do setor com investimentos nacionais e estrangeiros.
No Palácio de Miraflores, sede do poder executivo venezuelano em Caracas, onde se reuniu anteriormente com uma delegação norte-americana chefiada por Burgum, a presidente interina afirmou que a sua equipa económica vai apresentar uma "ampliação da Lei de Mineração" ao Parlamento pró-governo "nos próximos dias".
"Queremos pedir a colaboração de todos os membros da Assembleia Nacional para que atuem rapidamente, para que possamos apresentar ao povo da Venezuela e aos setores empresariais nacionais e internacionais as oportunidades de investimento e desenvolvimento no setor mineiro", frisou.
Para Delcy, a ideia é criar "um ciclo virtuoso" que beneficie tanto os investidores estrangeiros no país sul-americano como o próprio povo venezuelano.
"Queremos dar um grande impulso ao desenvolvimento nacional, para que o povo venezuelano veja também as vantagens e os benefícios de ter boas relações com o mundo e com os Estados Unidos", apontou.
Rodríguez, juntamente com Burgum, agradeceu ao Presidente dos EUA, Donald Trump, bem como à delegação de representantes da Casa Branca e de um setor significativo da comunidade empresarial privada dos EUA que acompanham o Secretário do Interior na sua visita de dois dias.
"Recebemos com agrado a sua visita para discutir aspetos muito importantes da nossa agenda relacionados com a mineração, incluindo minerais metálicos e não metálicos, tanto estratégicos como não estratégicos", apontou.
Doug Burgum, que também preside ao Conselho Nacional para a Dominação Energética dos EUA, frisou na quarta-feira em Caracas que as empresas mineiras norte-americanas estão "ansiosas" por começar a trabalhar na Venezuela.
"Temos hoje connosco mais de duas dezenas de empresas americanas, algumas das maiores, mais fortes e melhores empresas mineiras do mundo. (...) Estão ansiosas por começar a trabalhar", frisou Burgum após uma reunião com a presidente interina.
A líder chavista anunciou ainda que as equipas de ambos os países vão rever hoje (quinta-feira) a "agenda energética", que, segundo Delcy, já tinha começado com o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, que visitou a Venezuela há três semanas, altura em que Caracas e Washington anunciaram uma parceria energética de longo prazo.
"O Governo venezuelano está pronto para abordar, através de canais de cooperação, agendas concretas que beneficiem tanto o povo dos Estados Unidos como o povo da Venezuela", acrescentou.
Após a captura de Nicolás Maduro e da sua mulher, Cilia Flores, durante uma operação militar em 03 de janeiro, os Estados Unidos e a Venezuela entraram numa nova fase de reaproximação, e na quarta-feira, Trump afirmou que Rodríguez "está a fazer um excelente trabalho".