Carlos Costa considera urgente estratégia para absorção de desemprego estrutural

Porto, 06 set (Lusa) -- O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, considerou hoje urgente definir uma estratégia para que a economia portuguesa integre o desemprego estrutural, algo que não pode ser "deixado ao fruto das circunstâncias".

Lusa /

"Temos hoje um problema imediato que é um elevado nível de desemprego. Esse desemprego tem uma componente cíclica, (...) mas tem uma componente estrutural que tem a ver com o facto de, no novo quadro que resulta do ajustamento da economia portuguesa, não haver lugar para emprego que seja fundamentado apenas numa procura sustentada pelo endividamento", disse Carlos Costa.

O governador do Banco de Portugal falava durante a cerimónia de apresentação do Centro de Competências de Inovação e Desenvolvimento de Produtos e Serviços da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

Por este desemprego não ser assimilado "pela mera retoma económica", o governador do Banco de Portugal realçou que a tarefa de "absorção do desemprego estrutural da economia portuguesa é importante, urgente e não pode ser deixada ao fruto das circunstâncias".

"Há setores que vão ser redimensionados e ao serem redimensionados vão libertar recursos humanos e esses recursos humanos transitoriamente vão alimentar uma bolsa de desemprego que tem natureza estrutural", sublinhou Carlos Costa.

Para contrariar essa situação, é necessário "otimizar a utilização da capacidade instalada onde há procura, de gerar nova capacidade de produção para setores que têm procura interna ou externa e investir em novos setores e isto significa basicamente ter uma sequência temporal muito clara em termos de desenvolvimento económico do país".

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