Carlos Costa garante em tribunal que desconhecia títulos de offshores do BCP
Lisboa, 13 mar (Lusa) -- O antigo diretor da área internacional do BCP Carlos Costa disse hoje em tribunal que não tinha conhecimento sobre qual era a prática da gestão discricionária das `offshores` do banco que estão a ser investigadas pela justiça.
"Não tinha conhecimento de qual era a prática da gestão discricionária, nem tinha conhecimento que não havia `ultimate beneficial owner` [beneficiário último]" das mesmas, afirmou o atual governador do Banco de Portugal.
Carlos costa explicou que as funções que tinha não o obrigavam a ter essa informação sobre as sociedades não residentes (`offshore`) com as quais o responsável assinou contratos de renovação de créditos.
O antigo diretor do BCP respondia às questões colocadas pela procuradora do Ministério Público sobre se tinha conhecimento que as carteiras das 17 sociedades `offshore` do BCP das ilhas Caimão eram compostas unicamente por títulos do BCP.
Foi também questionado sobre se tinha, na altura em que desempenhou funções no banco, o conhecimento sobre quem eram os beneficiários últimos das sociedades não residentes.
O governador do Banco de Portugal testemunhou hoje no julgamento do processo-crime instaurado pelo Ministério Público contra quatro antigos altos quadros do BCP, entre os quais Jardim Gonçalves.
Carlos Costa trabalhou no BCP entre janeiro de 2000 e março de 2004, na qualidade de diretor da área internacional, tendo ainda acumulado responsabilidades na unidade de custódia do banco.
O Ministério Público acusa dois antigos presidentes do BCP, Jardim Gonçalves e Filipe Pinhal, e dois ex-administradores do banco, Christopher de Beck e António Rodrigues, dos crimes de manipulação de mercado e falsificação de documentos, tendo o julgamento arrancado no final de setembro do ano passado nas Varas Criminais de Lisboa.
Em março de 2012, Carlos Costa também foi chamado a depor no julgamento de recurso às coimas e inibições aplicadas a nove antigos altos quadros do banco pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) por prestação de informação falsa ao mercado entre 2002 e 2007.
Na ocasião, quando questionado sobre as 17 sociedades `offshore` [com sede em paraísos fiscais] que constam do processo da CMVM - que se encontra atualmente sob análise do Tribunal da Relação, após os arguidos terem todos recorrido da condenação aplicada pelo Tribunal de Pequena Instância Criminal -, Carlos Costa disse desconhecer quem eram os detentores das `offshore` e que "não havia nenhuma razão para as 17 `offshore` [em causa] serem tratadas como um pelotão".