Castro Almeida. Mais de 3.500 empresas receberam apoios superiores a 1.000 ME
As mais de 3.500 empresas que registaram prejuízos devido ao mau tempo, num valor superior a mil milhões de euros, já têm "o dinheiro na conta", anunciou hoje o ministro da Economia, realçando a rapidez do processo.
"A parte das empresas está a andar muito depressa. Já há mais de 3.500 empresas com o dinheiro na conta, num valor que supera os mil milhões de euros", afirmou hoje Manuel Castro Almeida à margem da apresentação do PTRR (Portugal, Transformação, Recuperação e Resiliência), na CCDR do Centro, em Coimbra.
Segundo o ministro da Economia e da Coesão Territorial, "os apoios do Estado estão a chegar", tendo começado a alcançar os beneficiários ao fim de 15 dias, num processo que "nunca tinha sido tão rápido".
"O dinheiro está disponível nas CCDR [comissões de coordenação e desenvolvimento regional], é só fazer as avaliações e avançar", frisou.
De acordo com Castro Almeida, o Governo também disponibilizou 400 milhões de euros para a parte das estradas nacionais e, a nível das habitações, já foram disponibilizados às CCDR 250 milhões de euros.
"Este dinheiro será reforçado se for necessário, evidentemente", garantiu.
Relativamente ao apoio de até 10.000 euros para colmatar os danos causados em habitações, salientou que, após a avaliação das câmaras municipais e posterior comunicação às CCDR, o dinheiro é pago aos beneficiários no dia seguinte.
"O dinheiro já está disponível, só está dependente das câmaras municipais fazerem essa avaliação. Sabemos que as câmaras estão muito ocupadas [...] e por isso foi disponibilizada uma equipa com várias centenas de técnicos [700]" para auxiliar no trabalho avaliativo.
O governante falava na CCDR do Centro, em Coimbra, à margem da apresentação do PTRR (Portugal, Transformação, Recuperação e Resiliência), que decorreu à porta fechada, e também após a tomada de posse de vice-presidentes daquela CCDR.
Em declarações aos jornalistas, recordou que as intempéries que afetaram o centro deram origem "à ideia do Governo de reforçar em todo o país as condições de resistir às próximas calamidades".
"Sabemos que vai haver mais calamidades, não sabemos exatamente aonde, e por isso temos que olhar não apenas para a recuperação imediata do que aconteceu na região Centro, mas também preparar o futuro, prevenir o futuro em todo o país", sustentou.
O objetivo é colher a opinião de quem está no terreno sobre as intervenções mais necessárias para se houver uma nova calamidade, ao que os líderes camarários demonstraram hoje "interesse em participar".
A expectativa é ter "uma proposta global da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro" até ao fim de março.
Sublinhando que será um processo rápido, acrescentou que "os autarcas, que conhecem muito bem os seus territórios, têm na cabeça o que é preciso fazer. Não é preciso agora juntar grandes relatórios, estudar relatórios para ver o que é" necessário.
"O que é preciso é estabelecer prioridades", apontou.
O PTRR - Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência, já aprovado em Conselho de Ministros, é, segundo o Governo, um programa de resposta à catástrofe climática que assolou várias regiões de Portugal continental entre 28 janeiro e 15 de fevereiro, e que visa preparar o país "para um futuro mais seguro, resiliente e competitivo.
Também questionado pelos jornalistas sobre a possibilidade do preço dos combustíveis subir, em decorrência da guerra no Irão, adiantou que "tudo vai depender do tempo que durar" o conflito.
"Se a guerra acabar em pouco tempo não acontece nada. Se a guerra demorar muitas semanas, meses, é inevitável uma repercussão grave no preço dos combustíveis, e aí é evidente que tem que haver uma intervenção do Estado", reforçou.
Os Estados Unidos e Israel lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.